Vacina para acabar com a dependência de nicotina é desenvolvida

A IDEIA DESSE MODELO DE TRATAMENTO COM VACINA É IMPEDIR A MOLÉCULA VICIANTE DE CHEGAR AO CÉREBRO

Segundo a Organização Mundial da Saúde, 6 milhões de indivíduos morrem todo ano exclusivamente devido ao vício do cigarro. Trata-se de uma doença crônica, que apresenta altas taxas de recaída.

É por isso que a farmacêutica com base nos Estados Unidos desenvolve uma vacina terapêutica para acabar com a dependência de nicotina – uma das mais de 4.700 substâncias presentes no cigarro e a responsável pelo prazer ao inalar e soltar fumaça.

Vacina contra Nicotina (Cigarro)

Vacina contra Nicotina (Cigarro)

A ideia desse modelo de tratamento é impedir a molécula viciante de chegar ao cérebro, onde ela estimula a liberação de dopamina, o neurotransmissor por trás daquela sensação de bem-estar.

A medicação da Pfizer está em uma fase de pesquisa em que os cientistas investigam a sua segurança em seres humanos. Assim, ainda deve levar um tempo até que esteja disponível para os que desejam dar adeus à vontade de abrir um maço. Por enquanto, o que se pode afirmar é que a vacina é inovadora e muito promissora.

Acontece que, se na teoria tudo funciona bem, os experimentos em laboratório têm demonstrado que há desafios pela frente. Isso porque outras vacinas com mecanismos parecidos já foram testadas e não obtiveram bons índices de sucesso. As duas grandes dificuldades são criar um anticorpo específico que se una à nicotina sem afetar outras moléculas e fazer com que o sistema imune reconheça e aprenda a produzir sozinho esse novo tipo de defesa.

Em meio às dúvidas, já há uma previsão mais certeira: mesmo que as vacinas demonstrem eficácia em seres humanos, não vencerão sozinhas a dependência. O motivo é que a compulsão por tragar um cigarro não está ligada apenas a aspectos biológicos, mas também emocionais e comportamentais.

Parar de fumar exige, em primeiro lugar, que o indivíduo esteja motivado. Depois, é preciso que ele seja orientado, por meio de terapia, a rever e mudar o seu comportamento. E, por último, vem o tratamento farmacológico, no qual entraria a vacina.