Laboratório terá vacina tetravalente contra a gripe

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A Organização Mundial da Saúde (OMS) determinou uma nova vacina contra a gripe, mais segura e eficaz. Com uma composição diferente do ano passado, a vacina ganhou mais um tipo B do vírus da gripe e agora é tetravalente. No entanto, essa versão é encontrada apenas na rede privada. De acordo com Jaime Rocha, infectologista do Laboratório Frischmann Aisengart, essa mudança é muito positiva. “Estima-se que 25% das gripes sejam causadas pelo vírus B e, por isso, essa ampliação é tão importante”.

Existem inúmeros tipos de vírus influenza A e B e, a cada ano, a OMS recomenda o tipo de vírus que deverá ser contemplado na vacina. A vacina trivalente protege contra a gripe A/H1N1, A/H3N3 e B. Já a tetravalente ganhou mais um tipo (cepa) B. “No último ano foi observada a circulação de uma cepa que não estava contemplada na vacina e, por isso, foi feito esse ajuste”, Rocha. O médico reforça que o mais importante é tomar a vacina e que ambas, tanto a trivalente quanto a tetravalente, são seguras.

A vacina pode ser aplicada em qualquer época do ano. “O ideal é que a vacina seja aplicada o quanto antes, o que confere proteção precoce”, fala Rocha. A vacinação apresenta até 90% de eficácia, tem efeitos protetores com duração de 8 a 12 meses, os quais não iniciam imediatamente após a vacinação, mas depois de 2 a 4 semanas. O infectologista alerta que “quem tomou a vacina no ano passado deve se vacinar novamente neste ano”.

A vacina é recomendada anualmente para todas as pessoas com idade superior a seis meses de idade, que não apresentem alergia comprovada.

Em 2013 o Frischmann Aisengart aplicou 33 mil doses da vacina e, em 2014, esse número diminuiu para 22 mil doses. “Enquanto em 2013 o Brasil chegou a enfrentar o desabastecimento de vacina contra a gripe, no ano passado a vacinação foi abaixo do que era esperada”, descreve Zymberg.

Para Jaime Rocha, infectologista do Laboratório, os casos registrados de gripe em 2013 deixaram a população em estado de alerta. “Atenção esta que nunca deveria ter deixado de existir”, afirma.

Rocha reforça que quem tomou a vacina no ano passado deve se vacinar novamente neste ano. “A população deve tomar a vacina para prevenir um surto de gripe, como aconteceu em anos anteriores”, afirma. O especialista lembra que em 2009, após a epidemia da Gripe A (H1N1), o Brasil investiu na campanha de vacinação e conseguiu conter o vírus. “Seis anos depois, a vacina continua sendo o melhor método de precaução”, conclui o infectologista.

O que é herpes e a Vacina do Zoster

Herpes é a designação de duas doenças muito diferentes: o herpes simples e o herpes zoster. Neste artigo falaremos somente do zoster.

 
O herpes zoster é uma doença causada pelo mesmo vírus que causa varicela, também chamada popularmente de catapora. Todas as pessoas que têm zoster, tiveram, anteriormente, varicela. A varicela é uma doença, que geralmente acomete crianças. Quando uma criança entra em contato, pela primeira vez, com outra que possui o vírus pode se contaminar e, após 10 a 21 dias tem a varicela clássica, caracterizada por lesões bolhosas e vesiculares espalhadas pelo corpo. Depois de algum tempo, sem qualquer tratamento a doença regride totalmente, ficando apenas as cicatrizes das bolhas, que podem também desaparecer depois de algum tempo. A cura da varicela não significa a erradicação do vírus, que hoje sabemos permanecer no corpo de forma latente, sem qualquer manifestação. Algumas pessoas que tiveram varicela muitos anos depois podem ter uma queda da imunidade e reativar o vírus que permaneceu latente por todos estes anos, sem ser eliminado totalmente. A varicela clássica, com lesões espalhadas por todo o corpo, só ocorre uma vez, após o contágio inicial. Na circunstância da reativação do vírus, secundária a uma queda de imunidade, a manifestação da doença é bem diferente e recebe o nome de zoster. Nesta circunstância as lesões ocorrem na pele (ou mucosa) que reveste o trajeto de um nervo, na face, tronco ou raiz dos membros. Embora menos espalhadas estas lesões são muito dolorosas e podem ter uma duração bem maior que a varicela clássica, podendo, inclusive, ocorrer mais de uma vez, ao contrário da varicela clássica, que ocorre apenas uma vez. Outra importância que tem o zoster é que ele pode acometer o nervo subjacente, mesmo depois da regressão das lesões, o que caracteriza uma consequência da doença chamada neurite pós-herpética, condição também extremamente dolorosa e duradoura.
 
O zoster, no passado, muitas vezes chamado de cobreiro, não recebia a importância que se dá a ele hoje, porque, embora quase todo mundo tem varicela, poucas pessoas têm zoster, já que depende de uma queda de imunidade, o que não é comum nas idades menos avançadas. Os idosos, porém, apresentam naturalmente uma crescente perda de imunidade, que é conhecida como imunosenescência. Com o aumento gradativo da duração da vida das pessoas tem-se um contingente crescente de idosos e com isto o zoster tornou-se uma causa de sofrimento importante na terceira idade. Isto levou a buscar-se uma vacina para prevenir esta condição neste grupo etário e este ano, a vacina que vinha sendo utilizada em alguns países, chegou ao Brasil.
 
A vacina está disponível nas clínicas privadas de vacinação e é aplicada em dose única. Sua composição é semelhante a vacina da varicela, que este ano foi introduzida na rede pública para crianças de 1 a 2 anos: tem como princípio ativo o próprio vírus atenuado da varicela. A diferença entre a vacina da varicela e a vacina do zoster é quantitativa. A vacina do zoster contém 14 vezes a quantidade de vírus da vacina da varicela, portanto, é como se o idoso, para apresentar uma resposta adequada, precisasse de um estímulo de 14 vacinas de varicela simultâneas.
 

Vacina do Zoster

Vacina do Zoster em Maringá


 

A ANVISA, que é o órgão governamental que licencia vacinas no Brasil, liberou a vacina para pessoas de mais de 50 anos de idade. Recomendamo-la em dose única após os 60 anos, idade em que a ocorrência do zoster aumenta e em que a pessoa ainda apresenta uma imunidade capaz de boa resposta à vacina. As pessoas que optarem por tomar a vacina antes dos 60 anos devem, no entanto, tomar outra dose aos 60 anos.
 
Por Silas A. Rosa. É Médico do Trabalho, Pediatra, Sanitarista e Advogado. Formado em Medicina pela Universidade de São Paulo (campus de Pinheiros) e Direito na UNIR. Possui Mestrado em Biologia Experimental.