Vacina contra HPV: por que os homens têm, sim, de tomar

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Tabagismo, consumo não moderado de álcool e dieta pobre em frutas e verduras são os principais fatores de risco para câncer de cabeça e pescoço. Com esse conhecimento, baseado em estudos epidemiológicos, foram elaboradas estratégias de prevenção e de diagnóstico precoce no fim do século passado. Combateu-se sem tréguas o consumo de tabaco e ele caiu drasticamente na população brasileira. Em vários programas educativos foram demonstradas as vantagens do diagnóstico precoce por meio de autoexame bucal e do, até então questionável, rastreamento de pessoas de alto risco. Sim, as pessoas podiam ser reconhecidas pelo risco.
Esse conhecimento tinha até algum efeito no diagnóstico. Pensava-se em câncer quando um homem com mais de 50 anos, etilista e tabagista, apresentava uma lesão na boca ou na garganta. Estávamos seguros de que continuar com educação em saúde e outras estratégias poderia reduzir o número de casos, e melhor que isso, reduzir a mortalidade por câncer, como já vinha acontecendo nos Estados Unidos.
Primeiro nos Estados Unidos, depois na Europa, e por último entre nós, foram observados muitos casos de câncer de boca e de garganta que fugiam do padrão até então estabelecido. Recebíamos cada vez mais indivíduos jovens, bem alimentados, não tabagistas e não etilistas. O diagnóstico era feito em fases avançadas da doença porque ela causava poucos sintomas e os médicos não especialistas que realizavam a primeira avaliação não pensavam na possibilidade de câncer em pacientes fora do padrão.
Havia um novo perfil de pacientes e muitas foram as hipóteses para explicar esse fenômeno, nenhuma confirmada de início. Até se suspeitou que a resposta estivesse em uma infecção causada pelo papilomavírus humano, o HPV, pois um agente biológico ser causador de câncer não seria uma novidade. Ainda mais que já se correlacionava o HPV com tumores genitais, assim como a bactéria Helicobacter pylori com câncer de estômago e o vírus da hepatite como um dos fatores causais de câncer de fígado. Mas estudos iniciais na década de 90 foram pouco animadores quanto ao papel do HPV em cabeça e pescoço.
Hoje, os dados epidemiológicos evidenciam que o HPV é, de fato, a causa desses novos cânceres de cabeça e pescoço que podem ocorrer em qualquer faixa etária. São tumores que causam poucos sintomas locais e metástases muito frequentemente, mas que felizmente, apesar da agressividade, respondem melhor ao tratamento do que em pacientes com tumores induzidos por tabaco. Estima-se que em poucos anos o número de casos de tumores associados ao HPV vá superar o daqueles relacionados ao tabaco. Tudo muda. Não existem pessoas de risco para programas de diagnóstico precoce. Somente combater tabagismo e consumo exagerado de bebidas alcoólicas já não são medidas eficazes.
O enorme progresso na pesquisa do papel carcinogênico do HPV em câncer de colo uterino levou ao desenvolvimento de vacinas que são capazes de proteger contra os principais vírus causadores de câncer e de doenças benignas bastante frequentes como as verrugas genitais. Testadas e aprovadas, foram rapidamente adotadas e meninas passaram a ser vacinadas em quase todos os países do mundo.
Trata-se de um novo modo de prevenção. Uma vacina contra cânceres graves. Benefício já demonstrado com redução da mortalidade por câncer de fígado em regiões geográficas com alta incidência de câncer de fígado. Agora as mulheres estão protegidas.
E os homens, por que não vaciná-los? Pensava-se que a epidemia de câncer de cabeça e pescoço não era tão grave. Pensava-se que, estando as mulheres protegidas, os homens também estariam. Mas homens podem ter atividade sexual com mulheres não protegidas, assim como pode haver relação homossexual e também contaminação pelo HPV sem relação sexual. Assim, por quase uma década, metade da população foi relegada à própria sorte porque não fazia parte da prioridade em saúde pública. A economia de custos não poupa recursos e sofrimento relacionados ao tratamento de casos de câncer não prevenidos. Relutar e não usar uma vacina que pode prevenir uma doença grave, potencialmente fatal, usando-se argumentos fracos, não parece nem um pouco lógico.
Gradativamente as opiniões foram mudando, primeiro com a aprovação do uso da vacina anti HPV em meninos, e agora, finalmente, com sua disponibilização dentro do sistema público de saúde. Uma medida a ser aplaudida. O investimento em vacinação trará seus efeitos em alguns anos. Investimento seguro, que poupará vidas, sofrimento e gastos com a saúde. Agora é hora de divulgar e incentivar a vacinação, que deve ser acompanhada de todas as outras medidas. A prevenção muda, fica mais forte, mais eficiente, mas não se pode dar trégua no emprego das outras medidas que adotamos atualmente.

Fonte: http://veja.abril.com.br/

A maioria das pessoas que contraem HPV são adolescentes

Está demonstrado que a maioria das pessoas contrai o HPV (Papiloma Vírus Humano) na adolescência, ocorrendo o pico de infecção entre os 15 e os 24 anos. Sabe-se também, através de vários estudos epidemiológicos, que a infecção por HPV é a causa primária de aproximadamente 100 por cento dos cancros do colo do útero. Esta doença representa um problema de saúde pública a nível global e é uma causa de morte frequente em mulheres. Na Europa Ocidental, a taxa de incidência é de 10 novos casos/ano por cada 100 mil mulheres e a de mortalidade é de 3,4 por cento. Em Portugal surgem 13,5 novos casos por ano por cada 100 mil mulheres, com uma taxa de mortalidade de 4,5 por cento, o que equivale a uma morte por dia! Números acima da média europeia e, inclusive, acima dos valores de Espanha: 7,6 e 2,2 por cento, respectivamente. O Dr. Jairo Bouer responde algumas questões enviadas por jovens, veja:

O que é o HPV?

O HPV é um condiloma acuminado, conhecido também como verruga genital, crista de galo, figueira ou cavalo de crista, é uma doença sexualmente transmissível (DST) causada pelo Papilomavírus humano (HPV). Atualmente, existem mais de 100 tipos de HPV – alguns deles podendo causar câncer, principalmente no colo do útero e do ânus. Entretanto, a infecção pelo HPV é muito comum e nem sempre resulta em câncer. O exame de prevenção do câncer ginecológico, o Papanicolau, pode detectar alterações precoces no colo do útero e deve ser feito rotineiramente por todas as mulheres. Para ter mais informações sobre essa doença, assista ao vídeo do Jairo Bouer:

Pré-adolescentes são alvo de campanha de vacinação contra HPV

O vírus HPV, que provoca alguns tipos de câncer, entre eles o de colo de útero. Meninas de 11 a 13 anos são foco da campanha nacional.

Uma campanha de vacinação, que começa na segunda-feira, quer prevenir um tipo de câncer muito perigoso para as mulheres: o câncer de colo de útero. As pré-adolescentes são o alvo da campanha.

hpvMas, a proteção individual prevê a vacinação desde os nove anos até a faixa adulta. Também, não se restringe ao sexo feminino, uma vez que adolescentes e adultos do sexo masculino devem igualmente ser vacinados.

Meninas, de 11 a 13 anos, são o foco da campanha nacional de vacinação contra o vírus HPV, que provoca alguns tipos de câncer, entre eles o de colo de útero.

Mas porque vacinar garotas tão novas? “Elas têm uma resposta em termos de produção de anticorpos melhor, mais alta, do que numa faixa etária um pouco mais pra frente”, diz Rosana Richtmann, representante da Soc. Bras. de Infectologia.

O câncer de colo de útero é o quarto que mais mata as brasileiras. A campanha que começa na próxima segunda-feira vem com uma mensagem muito clara. Para proteger mesmo as nossas meninas, as nossas pré-adolescentes é preciso tomar sim as três doses da vacina. A primeira agora, a segunda daqui a seis meses. E a terceira em 5 anos.

A meta do Ministério da Saúde é ousada: vacinar 80% do público-alvo. Ou seja mais de cinco milhões de meninas. Para isso a campanha de vacinação não vai ficar restrita aos postos de saúde. E deve chegar também às escolas públicas. Claro, com muita conversa.

“Os pais podem ficar absolutamente tranquilos que falar sobre sexualidade não incentiva. Da mesma forma que quando você fala sobre violência, você não incentiva a violência. Você previne. Então falar sobre a sexualidade é prevenção a situações de risco com a sexualidade”, afirma Albertina Duarte Takiuti, coord. Prog. de Saúde do Adolescente – SP.

E tem que conversar mesmo porque eles querem saber. “Se, por exemplo, eu não aprender agora, eu aprender depois, eu posso pegar doenças antes de eu saber isso há muito tempo”, comenta Kaylane da Silva Paixão, de 11 anos.

Vacinar meninos contra HPV tem papel crucial na prevenção, diz estudo

Garotos entre 11 e 21 anos também deveriam se imunizar contra o HPV, destaca autor. O vírus é transmitido sobretudo pelo sexo e ligado a vários tipos de câncer.

 
Aumentar a vacinação de meninos contra o vírus do papiloma humano (HPV) poderia ajudar muito a prevenir a doença no mundo, segundo um novo estudo feito pela Universidade de Toronto, no Canadá. O HPV é transmitido principalmente pelo sexo e está ligado a verrugas genitais e casos de câncer de garganta, pênis e ânus em homens, além de colo do útero em mulheres.
 

HPV é para homens e mulheres.

HPV é para homens e mulheres.

Na opinião do autor da pesquisa, Peter A. Newman, a imunização de garotos entre 11 e 21 anos de idade pode ter um papel fundamental na proteção de ambos os sexos contra os principais e mais agressivos tipos de HPV. Os resultados foram publicados este mês na revista “Sexually Transmitted Infections”.
 
“A vacina já está disponível e poderia mudar esse cenário e evitar casos de câncer que às vezes resultam (do HPV)”, destaca.
 
Newman agrupou dados de 16 estudos independentes que envolveram mais de 5 mil pessoas. Ele analisou as taxas de aceitação da vacina de HPV e quais fatores desempenham um papel determinante para homens jovens receberem ou não a dose.
 
As vacinas, principalmente as novas, podem ter dificuldade de alcançar o público-alvo para as quais foram desenvolvidas, segundo o autor. Esse problema é agravado pela falta de informação ou até por teorias conspiratórias sobre a eficácia e a segurança do produto.
 
“Infelizmente, a desinformação e os medos infundados podem resultar em mortes por câncer que poderiam ter sido evitadas com uma simples vacinação”, diz Newman.
 
O pesquisador também reforça que o principal fator que impede que os homens se vacinem contra o HPV é a falta de uma conexão bem estabelecida entre o vírus e o risco de morte para eles.
 
“A relação de HPV e câncer do colo do útero em mulheres é responsável por popularizar a vacina entre as jovens. Infelizmente, uma ligação semelhante, que motivaria os homens a receber a dose, ainda não foi feita. Mas isso precisa mudar”, afirma Newman.
 
De acordo com o cientista, a imunização para meninos no Canadá é recente e até agora teve baixo índice de aceitação. Para que isso mude, na visão dele, é necessária a participação ativa de médicos, assistentes sociais e instituições públicas de saúde para transmitir os benefícios da vacina aos meninos e o papel positivo que ela pode desempenhar ao manter a população mais segura e saudável.

Vacina contra HPV corta infecção pela metade em meninas, diz estudo

Pesquisa diz que esta é a 1ª evidência do bom funcionamento da vacina. Método contra infecção entrou no mercado há sete anos.

 
Pesquisadores afirmaram, nesta quarta-feira (19), que uma vacina para o vírus sexualmente transmissível cortou infecções em meninas adolescentes pela metade. Esta é a primeira evidência de quão bem a vacina contra o HPV funciona desde que entrou no mercado há sete anos.
 
Os resultados do estudo pelos Centros de Controle e Prevenção de Doenças foram liberados nesta quarta. Para as idades de meninas de 14 a 19 anos, o estudo encontrou uma redução de 56% nos tipos de vírus HPV visadas pelos estudos. Agora, as campanhas de vacinação vão se concentrar em meninas com idades entre 11 e 12.
 
Muitos homens e mulheres são infectados com o papilomavírus humano durante a sua vida. A maioria não desenvolve os sintomas e “limpa” a infecção por conta própria. No entanto, algumas infecções proporcionadas pelo HPV levar a verrugas genitais, câncer cervical e outros cânceres.
 
Confira a ilustração sobre a vacina HPV abaixo:
 

Vacina HPV em Maringá

Vacina HPV em Maringá

Vacina contra o HPV deve ser aplicada a partir dos 9 anos

Estudo americano realizado com cerca de 390 meninas aponta que entre 10% e 45% delas já podem estar infectadas pelo vírus HPV antes mesmo da primeira relação sexual. Segundo os pesquisadores, o vírus é transmitido por meio de células contaminadas, e não por fluidos corporais. Portanto, o simples contato entre mucosas favorece o contágio.
 
A Organização Mundial de Saúde (OMS) aponta a vacinação como a forma mais efetiva de prevenção, pois imuniza contra a maioria dos tipos de vírus, encontrada apenas em clínicas privadas. O Ministério da Saúde planeja incorporar a vacina à rede pública com provável indicação para meninas na fase da pré-adolescência. Porém, a notícia está sendo considerada um incentivo à vida sexual precoce, deixando os pais receosos para a imunização de suas filhas.
 

As famosas preliminares também podem acarretar a transmissão do vírus HPV, cuja principal prevenção é a vacina

As famosas preliminares também podem acarretar a transmissão do vírus HPV, cuja principal prevenção é a vacina


 

Já o infectologista Alexandre Naime Barbosa acredita que a vacina é fundamental para a necessária prevenção do HPV. “Esse estudo é importante para sinalizar, mais uma vez, a direção da comunidade científica que vem discutindo a respeito de quando é o melhor momento para vacinar, principalmente as meninas, contra o HPV. A questão é que o HPV é um vírus altamente transmissível, principalmente através do contato sexual. Ele não precisa de nenhum tipo de quebra de barreira de mucosa e nenhuma ferida para que haja a transmissão”, afirma.
 
O especialista alerta, no entanto, que não é só a relação sexual completa, com penetração, que leva à contaminação. “Carícias e as famosas preliminares, mesmo que a penetração não se confirme, também podem acarretar a transmissão do HPV. E foi justamente isso que esse estudo demonstrou recentemente. Eles avaliaram 387 meninas entre 14 e 17 anos. Dessas, 22 eram virgens, sendo que em dez delas foram encontrados vírus HPV na região vaginal. Ou seja, dez jovens, sem nunca ter tido relação sexual completa, já tinham HPV. Isso suporta a ideia de que a vacinação para esse vírus tenha que ser mais precoce. Ou seja, antes das primeiras experiências sexuais, talvez a partir dos nove anos, quando a vacina já se prova efetiva, e não aos 11 ou 12 anos, quando começa, para uma grande parcela das meninas, as primeiras experiências”, completa o médico.

Michael Douglas diz que HPV causou câncer de garganta

Em entrevista ao ‘The Guardian’, ator disse que câncer não foi causado por cigarro ou álcool, e sim por uma doença sexualmente transmissível, HPV.

O ator americano Michael Douglas, 68, que há três anos lutou contra um câncer de garganta, afirmou que a sua doença foi provocada por sexo oral. Em entrevista ao jornal britânico The Guardian, Douglas disse que o câncer que sofreu não foi causado por cigarro ou álcool, e sim por uma doença sexualmente transmissível.

 

Michael Douglas - Vacina HPV

Michael Douglas - Vacina HPV

 

“Sem entrar em detalhes, este câncer específico é provocado pelo vírus do papiloma humano(HPV), que na verdade vem do sexo oral”, explicou o ator. “Estava preocupado por saber se os problemas causados pela prisão de meu filho teriam contribuído para desencadear o câncer, mas não, na realidade se deve a uma doença sexualmente transmissível.” O filho do ator, Cameron, cumpre pena de 10 anos de prisão por posse de drogas e tráfico.
 
Michael Douglas, vencedor de dois Oscar, revelou em 2010 que lutaria contra um câncer com sessões de quimioterapia e radioterapia. Ele hoje está livre da doença. “Tenho que fazer controles regulares, agora a cada seis meses, mas tudo está normal há dois anos.”
 
Não é a primeira vez que Douglas fala de maneira aberta sobre práticas sexuais. Ainda antes de se casar com a atriz Catherine Zeta-Jones, que levou ao altar em 2002, o ator admitiu publicamente ser viciado em sexo. O vício o teria levado a trair repetidas vezes a ex, Diandra Luker, e a se internar para tratar do comportamento compulsivo. O sexo também é tema de seu último filme, Behind The Candelabra, em que interpreta o pianista gay Liberace e contracena com Matt Damon, no papel de seu amante. O longa, dirigido por Steven Soderbergh, foi apresentado no Festival de Cannes deste ano.
 
Doença — O papiloma vírus humano (HPV) é a principal doença transmissível relacionada ao sexo – ou seja, a de maior prevalência. O vírus pode ser transmitido por meio das regiões genitais, do ânus e também pelo sexo oral. Uma vez no corpo de uma pessoa, ele tanto pode ser eliminado naturalmente quanto evoluir para uma doença grave, como um câncer. Embora os principais cânceres associados ao HPV sejam os ginecológicos, como o de colo do útero, o vírus pode desencadear outros tipos da doença. “Hoje, sabemos que há outros cânceres associados ao HPV, entre eles o de ânus, de próstata e até de pele. Mas o que nos têm chamado atenção são os cânceres que ocorrem na região da cabeça e pescoço, incluindo os da cavidade oral”, disse em 2012 ao site de VEJA o médico Henrique Olival, vice-coordenador do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia do HPV.
 
Matéria original: http://veja.abril.com.br/noticia/celebridades/michael-douglas-diz-que-sexo-oral-provocou-cancer-de-garganta

Dois terços das mulheres não ligam HPV a câncer, diz estudo

Dois terços das mulheres não ligam HPV a câncer, a pesquisa foi feita com mulheres em seis capitais brasileiras. Câncer de colo de útero é o segundo que mais mata mulheres no Brasil.
 

Uma pesquisa feita pelo Ibope indica que dois terços das mulheres brasileiras não sabem que o vírus do papiloma humano está relacionado à incidência de câncer de colo de útero. O dado é preocupante, pois a prevenção contra o vírus é a forma mais eficaz de evitar a doença – o segundo tipo de câncer que mais mata mulheres no Brasil, atrás apenas do câncer de mama.
 

O HPV é um vírus sexualmente transmissível, que é passado em um simples contato de pele com pele, desde que nas regiões infectadas. Provoca verrugas e ferimentos genitais, e essas verrugas muitas vezes dão origem a tumores. O tipo de câncer mais comumente causado por ele é o de colo de útero, mas isso pode ocorrer também no ânus, no pênis ou na garganta.
 
“A pesquisa mostra a necessidade de continuar passando as informações para a população”, alertou Garibalde Mortoza Junior, presidente na Associação Brasileira de Patologia do Trato Genital Inferior e Colposcopia, que idealizou o trabalho.
A consulta foi feita em seis capitais: Belo Horizonte, Brasília, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro e São Paulo. “Se nas principais capitais, a desinformação paira, imagina nas cidades menores”, comentou Mortoza.
 
Cidades menores e locais isolados são, de fato, as maiores preocupações dos médicos em relação ao combate ao câncer de colo de útero. Nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, esse é o tipo de câncer mais comum entre as mulheres, à frente até do câncer de mama.
 
HPV
O estudo perguntou às mulheres quais são as melhores formas de evitar o HPV. Entre as entrevistadas, 83% citaram o preservativo como uma maneira de evitar a transmissão.
 
A camisinha é sim recomendada, pois reduz o risco de transmissão da maioria das doenças sexualmente transmissíveis. Porém, no caso específico do HPV, ela não é 100% eficaz, pois o simples contato de pele com pele pode ser suficiente para que o vírus seja passado.
 
Outro método muito importante de prevenir a transmissão é a vacinação. Apenas 24% das entrevistadas sabiam que existe vacina contra o HPV.
 
“O que eu tenho conhecimento é que é uma vontade do Ministério da Saúde”, disse Mortoza, que acredita que ela seja disponibilizada em breve para algumas faixas etárias.
Os médicos recomendam a vacinação principalmente para meninas com entre 12 e 14 anos, porque a eficácia é maior quando as doses são aplicadas antes do início da vida sexual. “Não quer dizer que depois não é pra fazer”, ressaltou o especialista.
 
Papanicolau
Além de evitar a transmissão do HPV, também é muito importante fazer exames regulares para identificar lesões no colo do útero antes que elas se tornem um câncer. O diagnóstico precoce aumenta a eficácia do tratamento.
 
O exame em questão é o Papanicolau, que deve ser feito, no mínimo, a cada três anos. Os dados da pesquisa em relação a esse exame também são preocupantes: 18% das entrevistadas nunca o realizaram, e 13 % fizeram apenas uma vez na vida.
 
“O câncer do colo do útero é um dos poucos que você previne”, lembrou Mortoza, enfatizando a importância dos exames preventivos.
 
Para o especialista, o Brasil tem dificuldades nesse setor e o sistema de saúde britânico é um exemplo a ser seguido. Lá, se uma mulher deixa de fazer ou buscar o exame, é procurada pelos agentes de saúde.
 
Aqui, segundo ele, o processo de deslocamento e marcação de horários na rede pública acaba afastando algumas pacientes. De toda forma, as mulheres também precisam ter consciência dos riscos e procurar a orientação, mesmo que não haja sintomas.
“Se a mulher não vai ao ginecologista, não adianta nada”, resumiu o médico.
 
Tadeu Meniconi do G1, em São Paulo
 
Saiba mais sobre a Vacina HPV: http://www.icvacinas.com.br/hpv 

Vacina contra HPV também é indicada para prevenção de câncer anal

Apesar de ser considero raro, a incidência desse tipo de câncer tem aumentado

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou uma nova indicação para a vacina contra o HPV (papilomavírus humano). A vacina, que já era utilizada para a proteção contra cânceres da vagina, vulva e colo do útero em mulheres e para verrugas genitais em homens e mulheres, passa a ser indicada para a prevenção do câncer anal, também em ambos os sexos.

De acordo com estimativas no Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia das Doenças do Papilomavírus Humano (Instituto do HPV), a incidência do câncer de ânus no Brasil é de 3 a 5 casos por 100.000 pessoas, entre homens e mulheres, anualmente.

Aumento – Apesar de ser considerado um câncer raro, um estudo publicado na revista Femina da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo) em 2011 afirma que, nos últimos anos, a incidência do câncer anal aumentou 1,5 vez entre os homens e triplicou nas mulheres.

De acordo com Luisa Villa, coordenadora do Instituto do HPV da Santa Casa de São Paulo, o aumento da incidência de câncer anal tem sido observado em diversos países. Acredita-se que a causa desse aumento seja decorrente de uma maior liberação da atividade sexual que tem ocorrido desde os anos 60, uma vez que o vírus HPV é sexualmente transmissível.

Indicação – A nova indicação para a vacina entrou em vigor no dia 17 de dezembro de 2012. Porém, ela só é válida para uma das vacinas disponíveis atualmente, a vacina quadrivalente, que oferece proteção contra os tipos 6,11, 16 e 18 do vírus HPV. A outra vacina disponível é a bivalente, que protege apenas contra os tipos 16 e 18. A principal diferença entre as duas é que a bivalente protege apenas contra o câncer, não servindo para a prevenção de verrugas genitais.

Antes de chegar ao Brasil, a indicação da vacina de HPV para a prevenção de câncer anal foi aprovada em outros países, como Estados Unidos, Austrália e México, desde 2011.

Mais funções – Para Luisa Villa, é possível que, à medida que novos estudos forem realizados, a vacina para HPV receba novas indicações. “Os tumores da orofaringe (câncer de amígdala e de base de língua) são provocados grande parte das vezes pelo HPV 16, portanto espera-se que no futuro exista o benefício para a redução desses tumores também. Ainda não foi feito um ensaio clinico com esses tipos de câncer, por isso ainda deve demorar um pouco mais para que haja uma indicação formal”, afirma.

 

O que é HPV