7 coisas que toda gestante tem que saber sobre zika

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São Paulo – Conforme aumenta o surto de casos notificados de microcefalia em bebês no Brasil, cresce o temor das gestantes com relação aos riscos apresentados pelo zika vírus. Entre 2015 e 2016, já são mais de 4,7 mil suspeitas da malformação em crianças brasileiras, provavelmente associadas à expansão do vírus.

Sem vacina ou cura conhecida pela ciência, o governo brasileiro tenta mitigar os efeitos da epidemia concentrando esforços no combate ao Aedes aegypti.

A população de risco fica à mercê de prevenções alternativas para se proteger das contaminações. As dúvidas, principalmente de gestantes, ainda são muitas: quais as melhores formas de prevenção? O que fazer se o mosquito me pegar? Se tiver zika é certeza que meu filho terá problemas?

Para apresentar as melhores formas de prevenção e desmascarar alguns mitos com relação ao zika durante a gravidez, EXAME.com consultou especialistas para formular respostas — ou, ao menos, dizer o que já se sabe nesse sentido.

Veja a lista a seguir, elaborada com a ajuda de Jessé Alves Reis, coordenador do Ambulatório de Medicina do Viajante do Hospital Emílio Ribas, e José Paulo Pereira Júnior, gerente da Área de Atenção Clínico-Cirúrgica à Gestante do Instituto Fernandes Figueira (IFF/Fiocruz).

1) Prevenir é o melhor remédio

Em prevenção, dois pontos precisam ser levantados. Um deles é a transmissão do zika por contato sexual.

Os Estados Unidos, através do serviço de saúde de Dallas, no Texas, divulgaram o registro com o caso de uma pessoa infectada após se relacionar com alguém que voltava da Venezuela. Como há a possibilidade de contaminação, gestantes devem usar preservativo em qualquer relação sexual.

Mas a principal preocupação deve ser, sem dúvida, evitar a picada do mosquito.

Começando pela casa, é fundamental manter a organização e eliminar quaisquer focos próximos de criadouros de mosquitos. Uma vistoria completa e chamar a atenção de vizinhos com relação à prevenção são mais que válidos.

Instalar mosquiteiros nas janelas é bastante eficaz — tê-los também no entorno da cama aumenta a proteção durante a madrugada. Inseticidas em spray e de tomada são bem vindos em locais ventilados.

Caso haja terrenos baldios, imóveis abandonados ou moradores da região que não colaboram em extinguir os focos, é recomendado que se procure a fiscalização das prefeituras. Em horários de alta concentração de mosquitos, como o período da noite e início da manhã, a atenção deve redobrar.

Apesar de o calor do verão dificultar o uso, vale priorizar as roupas compridas, reforçadas em mangas e pernas. Para as partes expostas, o uso de repelentes de insetos é necessário.

2) Não importa qual o repelente, contanto que se use corretamente

Qualquer repelente aprovado pela Anvisa ajuda na prevenção às picadas, mas a gestante deve estar atenta ao tempo de permanência na pele. Os três mais comuns são Icaridina, DEET, IR 3535.

“Icaridina tem o tempo de ação mais longo, de acordo com o fabricante, que pode durar até 10 horas na pele”, diz Jessé Alves Reis, do Emílio Ribas. “É fundamental lembrar sempre que esse tempo de duração é em situação ideal. Em momentos de transpiração alta, muito calor, é preciso reaplicar com mais frequência.”

Ler as instruções no rótulo do produto é obrigatório para que a eficiência seja assegurada e não haja tempo de exposição ao mosquito.

3) Viajar não está proibido, mas é melhor adiar

Ministério da Saúde e Organização Mundial da Saúde não chegaram a proibir viagens de gestantes para regiões mais afetadas pelo surto de zika, mas recomendam precaução.

Cientistas, porém, divergem sobre o assunto. O CDC (Centro de Prevenção e Controle de Doenças dos Estados Unidos) é um dos órgãos que abertamente desencoraja as viagens — principalmente de gestantes — a países com surto de zika.

“Vale realmente a pena fazer a viagem? É preciso conversar com o seu médico e pensar em adiar até que se tenha um plano mais claro do que está acontecendo”, afirma Reis, do Emílio Ribas.

4) Não adianta fazer exames periódicos para monitorar o zika

O exame diagnóstico que já foi desenvolvido para o zika vírus é inútil sem a presença de sintomas, então não há motivo para fazer exames preventivos. Além de só detectar o problema na fase aguda, 80% dos casos de zika são assintomáticos.

“Infelizmente, o único teste que temos no momento, chamado RT-PCR, só é eficaz nos primeiros 5 a 16 dias de sintomas”, afirma José Paulo Pereira Júnior, da Fiocruz. ”Ainda não temos sorologias [exames laboratoriais] confiáveis que possam rastrear se o zika esteve no corpo em algum momento, nem se está em quantidade para causar malformação.”

Segundo Pereira Júnior, no futuro, quando estes exames laboratoriais estiverem aprimorados, esta pode ser uma estratégia para combater ocorrências de microcefalia.

5) Quem teve zika (muito provavelmente) pode engravidar

Em geral, após contrair uma doença viral e se curar, o corpo produz anticorpos por toda a vida. O “senso comum” da medicina acredita que o mesmo acontece para o zika. O problema é que a ciência ainda não sabe o quanto é necessário de vírus para desencadear casos de microcefalia, nem quanto tempo essa quantidade leva para sair do corpo da paciente.

A estimativa dos órgãos médicos, até o momento, é de que o zika demora cerca de 16 dias para ser eliminado do corpo. Como não há comprovação do ponto de vista definitivo, médicos e cientistas chegaram a essa conclusão colocando como referência o funcionamento de outras doenças virais, como a rubéola, sífilis e toxoplasmose.

Ambas causam malformação congênita, assim o zika parece fazer. Em nenhum caso, porém, há precedentes de microcefalia em pessoas que tiveram a doença antes da gravidez.

6) Os três primeiros meses de gravidez são mais críticos, mas, depois, não pode relaxar

“Os efeitos de infecções virais sempre são mais preocupantes nesse período, porque é a fase de multiplicação das células e formação dos órgãos”, diz José Paulo Pereira Júnior, da Fiocruz. “No modelo hipotético, é pior. Mas, por ser uma doença nova e não conhecermos todas as nuances, é necessário se proteger a todo o tempo.

“Não pode esmorecer nos cuidados, pois não se sabe o quanto a infecção pode ser prejudicial em momentos específicos da gravidez”, afirma.

7) Pegar o zika enquanto está grávida não significa certeza de que o bebê terá microcefalia

O maior pesadelo de uma gestante nesse cenário é ser diagnosticada com a zika. Mas antes de se desesperar, é necessário saber que não são 100% dos casos de mulheres que contraíram o vírus que geraram bebês com malformação. Essa proporção ainda é desconhecida pela ciência e está em estudo.

Pereira Júnior, da Fiocruz, atende 43 mulheres grávidas que foram comprovadamente diagnosticadas com o zika em seu consultório. A proporção de bebês com malformação é alta, mas sua amostragem não é suficiente para comprovar algo.

“Do ponto de vista técnico, só consigo falar de depois de comparar grupos doentes com saudáveis por anos, entendendo as regras de cada situação. Estudos como este começaram a ser feitos agora”, diz. “Daqui um ano ou dois que teremos esses números.”

É importantíssimo estar atenta aos sintomas: os efeitos mais comuns do vírus no corpo são febres intermitentes e moderadas, vermelhidão nos olhos por conjuntivite, dores no corpo e articulações, além das características manchas vermelhas na pele. Se houver qualquer desconfiança, é necessário procurar os serviços de saúde.

“Uma vez contraído o vírus, não há muito mais o que fazer — é acompanhar para ver se esse criança será afetada”, diz Jessé Alves Reis, do Emílio Ribas. “É difícil cravar qualquer estimativa, pois não sabemos quantas pessoas contraíram e não tiveram nada, não sabemos a proporção de mulheres infectadas que efetivamente passaram pelo problema adiante.”

EXTRA: Depois do nascimento, crianças não podem desenvolver malformação por conta do zika vírus

Em crianças pequenas e idosos, essa família de vírus pode causar eventos mais sérios que em adultos, como febre, comprometimento do fígado, etc.”, disse Ralcyon Texeira, supervisor do Pronto Socorro do Hospital Emílio Ribas, em entrevista a EXAME.com.

Texeira destaca que é completamente falso o boato que corre na internet sobre a possibilidade de crianças já nascidas, e até os 7 anos de idade, contraírem microcefalia se infectadas com o zika vírus.

“Não haverá qualquer tipo de malformação”, diz. “Isso é completamente falso.”

 

Fonte: exame.abril.com.br

Vacina contra a dengue: grávidas e crianças podem tomar?

O estado de São Paulo está prestes a concluir o desenvolvimento da primeira vacina brasileira contra a dengue. O mérito é do Instituto Butantan, que já conduz a última fase dos testes em humanos, realizados com 17 mil voluntários, em 13 cidades do país. A expectativa é que o produto esteja disponível até 2017.

 

Enquanto isso, acaba de ser liberada para comercialização, no México, a vacina tetravalente contra a dengue, resultado de 20 anos de pesquisa, com cerca de 20 estudos, envolvendo 40 mil participantes em 15 países. Fabricada pelo laboratório Sanofi Pasteur, promete proteger contra os quatro sorotipos do vírus. Em entrevista à CRESCER, a diretora médica da instituição, Sheila Homsani, esclareceu as principais dúvidas sobre a imunização de grávidas e crianças. Veja, a seguir.

 

CRESCER: A vacina é indicada para a faixa etária entre 9 e 45 anos. Há previsão de lançamento de um imunizante para crianças menores?

Sheila Homsani: A vacina contra dengue é indicada para indivíduos acima dos 9 anos, porque essa foi a faixa etária em que a vacina surtiu os melhores resultados. Os estudos de eficácia e segurança, conduzidos na América Latina e na Ásia, e publicados no periódico científico New England Journal of Medicine, mostraram que, para esse público específico, o produto confere 66% de proteção, especialmente contra duas manifestações clínicas relevantes da doença– ela promove redução de 93% dos casos graves e de 80% nos índices de internação, que representam o maior impacto social e econômico da enfermidade em países endêmicos.

 

Além disso, o imunizante protegeu os participantes do estudo com idade a partir de 9 anos, que foram anteriormente expostos à dengue (82%), assim como aqueles que ainda não haviam contraído a doença (52,5%). Esses resultados representam um grande avanço para o controle do problema e estão de acordo com a meta da Organização Mundial de Saúde (OMS) de diminuir a mortalidade por dengue em, pelo menos, 50% e a morbidade em, pelo menos, 25%, até 2020. Os estudos continuam e estamos analisando os resultados da vacina em menores de 9 anos.

 

C: As gestantes podem tomar a vacina?

S.H: O produto tem como esqueleto o vírus da febre amarela, vivo e atenuado, combinado com os quatro tipos do vírus da dengue, que estimulam o sistema imunológico, mas sem ter capacidade de provocar a doença. Assim como todo imunizante de vírus atenuado– a exemplo do que protege contra a rubéola, sarampo ou caxumba — a vacina contra dengue não é indicada para gestantes.

 

C: Quais as reações possíveis?

S.H: Analisamos mais de 40.000 participantes do programa de desenvolvimento clínico da vacina e concluímos que ela tem um perfil de segurança aceitável, comparável ao placebo.

 

C: Quantas doses da vacina deverão ser aplicadas e em que intervalo?

S.H: A aplicação deverá ser feita em três doses para garantir a redução de 93% dos casos de dengue grave, de 80% dos índices de internações – que representam o maior impacto social e econômico da doença em países endêmicos – e de 66% de eficácia global. Vale lembrar que, a partir da primeira dose, a proteção já se inicia.

 

C: O que falta para o imunizante ser liberado no Brasil?

S.H: Ele está pronto e precisa apenas da aprovação dos órgãos regulatórios para ser comercializada. No Brasil, submetemos o dossiê regulatório da vacina contra dengue à Anvisa, para obtenção do registro, em março deste ano. Com isso, a previsão da chegada da vacina é 2016.

 

Fonte: revistacrescer.globo.com

Paraná e Santa Catarina querem vacina contra gripe mais cedo

Nas próximas semanas, um documento conjunto das Autoridades de saúde do Paraná e Santa Catarina deve ser enviado ao Ministério da Saúde sugerindo algumas mudanças no processo de distribuição das vacinas. O principal pedido é que as doses cheguem aos Estados com mais antecedência, permitindo que os municípios se organizem melhor para iniciar a campanha nas unidades de saúde.

“Por conta do clima frio, a região sul tem suas particularidades em relação ao enfrentamento da gripe. O que queremos é que isso seja levado em conta pelo Ministério da Saúde, sobretudo na organização da logística de distribuição das doses”, informou a superintendente de Vigilância em Saúde, Eliane Chomatas.

A decisão de produzir o documento foi feita durante a Reunião da Região Sul-Infectologia, em Curitiba, na sexta-feira passada, para discutir novas ações para ampliar o alcance da campanha de vacinação contra a gripe. A intenção foi alinhar as estratégias adotadas pelos Estados e elaborar propostas conjuntas ao Ministério da Saúde para garantir maior cobertura vacinal na edição deste ano.

Dados da Secretaria da Saúde do Paraná apontam que o número de casos começa a aumentar mesmo antes do inverno. Com a queda nas temperaturas, o risco de transmissão da gripe cresce já a partir de abril e as medidas de prevenção devem ser intensificadas.

Além disso, a vacina contra a gripe só concede proteção 15 dias após a sua aplicação. Por isso, é essencial que as pessoas que fazem parte dos grupos prioritários da campanha procurem as unidades de saúde já no início da vacinação.

Em 2014, mais de três milhões de paranaenses foram vacinados contra a gripe na rede pública de saúde. Entre os grupos prioritários imunizados estavam idosos (+60 anos), crianças menores de 4 anos, gestantes, puérperas (mulheres com pós-parto de até 45 dias), doentes crônicos, profissionais de saúde, indígenas e trabalhadores e detentos do sistema prisional.

No ano passado, os lotes de vacina chegaram poucos dias antes do início da campanha: Paraná quer prioridade (foto: Venilton Kuchler/Sesa)