Gestantes Devem Tomar Vacina Contra Coqueluche

De acordo com a Organização Mundial da Saúde, a coqueluche é uma das dez maiores causas de mortalidade infantil.

As gestantes que estão entre a 27ª e 36ª semana de gestação devem receber a vacina contra coqueluche. A vacina deve ser aplicada até 20 dias antes do parto. De acordo com dados do Ministério da Saúde, foi registrado aumento significativo no número de casos em 2012 em todo país, principalmente na faixa etária até 6 meses de idade. Em 2009, havia menos de 2 mil casos de coqueluche registrados em todo o mundo.
 
Em 2012, o índice subiu para 7 mil casos. No Brasil, no ano passado, 568 pessoas foram diagnosticadas com 110 mortes.
 

Vacina Contra Coqueluche em Maringá

Vacina Contra Coqueluche em Maringá


 

A vacina contra coqueluche é a terceira incorporada ao calendário de vacinação neste ano. Ela se junta à proteção contra HPV, hepatite A e mais 14 outras doenças. Com capacidade de proteger adultos sem apresentar efeitos colaterais, a dTpa (nome da vacina) protege também contra difteria e tétano. Até então, uma gestante tomava três doses contra as duas últimas doenças. A partir deste ano, a terceira dose passa a conter proteção contra a coqueluche.
 
“Isso não dá proteção permanente nem sequer prolongada. Aqueles anticorpos só duram 6 meses. Portanto, isso não altera o esquema de vacinação da criança, que deve tomar outra vacina depois de 2 meses de vida”, afirmou a diretora de Epidemiologia da Secretaria Municipal da Saúde ,Juliane Oliveira.
 
Transmitida por uma bactéria, o principal sintoma da coqueluche é tosse forte, o que faz com que a doença possa ser confundida com outras enfermidades. De acordo com a Organização Mundial da Saúde, a coqueluche é uma das dez maiores causas de mortalidade infantil.

Epidemia de Coqueluche em 2012: o ressurgimento de uma doença imunoprevenível

Coqueluche

Coqueluche

No seu artigo de revisão o Dr. James Cherry procura explicações para o paradoxo do ressurgimento da coqueluche como problema de saúde pública, oferecendo ao leitor uma síntese histórica da epidemiologia da doença, do desenvolvimento das vacinas para coqueluche e propostas para o enfrentamento do quadro epidemiológico atual. Abaixo, procuramos apresentar uma síntese desse importante artigo, aproveitando para contextualizar a situação epidemiológica no Brasil..

No período em que não havia vacinas disponíveis, a cada dois ou cinco anos o número de casos de coqueluche nos Estados Unidos da América (EUA) atingia proporções epidêmicas. Graças à imunização, entre o início da década de 1940 e o ano de 1973, a incidência de coqueluche caiu de 157/100.000 habitantes para 1/100.000. Não obstante tamanho sucesso, os crescentes questionamentos acerca da segurança da vacina combinada contra difteria, tétano e coqueluche de célula inteira DTP determinaram a redução do seu uso, o que levou à ocorrência de novas epidemias. Foram então desenvolvidas novas vacinas contendo alguns componentes imunogênicos da Bordetella pertussis, as chamadas vacinas tríplices acelulares (DTPa), sabidamente menos reatogênicas. No entanto, apesar das coberturas vacinais adequadas, os ciclos epidêmicos de coqueluche continuaram ocorrendo, a incidência da doença vem aumentando gradualmente a partir da década de 1980 e epidemias substanciais ocorreram em 2005 e 2010. Em 2012 os EUA enfrentaram a maior epidemia de coqueluche dos últimos 50 anos. No Brasil, o número de casos confirmados de coqueluche dobrou no primeiro semestre de 2011 em comparação a todo o ano de 2010. Até agosto, foram registrados 583 casos, contra 291 no ano anterior, segundo dados do Ministério da Saúde. O que poderia explicar o ressurgimento dessa doença, para a qual existem vacinas?

Uma possível resposta para esse paradoxo poderia ser encontrada nos diferentes critérios epidemiológicos usados para dimensionar a real carga da doença. Incidências podem variar muito na dependência dos critérios diagnósticos usados, tais como tosse prolongada, evolução de títulos de anticorpos contra B. pertussis e identificação através de cultura. Outro aspecto relevante a considerar reside no fato de que tanto as infecções naturais quanto a vacinação não conferem imunidade duradoura, deixando os indivíduos suscetíveis após cinco a dez anos. Por outro lado, as altas coberturas vacinais, ao determinarem uma diminuição de casos, tendem a diminuir também o reforço da exposição natural à doença, aumentando o número de suscetíveis ao longo do tempo. Além disso, o uso da reação em cadeia da polimerase (PCR) como ferramenta diagnóstica também pode ter contribuído substancialmente para o aumento da identificação e da notificação de casos de coqueluche na última década, pois é um método mais sensível que a técnica tradicional de cultura. No contexto atual, as evidências de estudos realizados na década de 1990 demonstrando que as vacinas DTP são mais potentes que as vacinas DTPa também passaram a ser um motivo de séria preocupação para os cientistas. As mudanças genéticas que ocorreram ao longo dos anos nos antígenos da B. pertussis, tais como pertactina, fimbria e toxinapertussis, teoricamente poderiam explicar as falhas de proteção das vacinas acelulares. No entanto, na Dinamarca, que há 15 anos usa uma vacina DTPa contendo um único antígeno (toxina pertussis), não há até o momento evidência de falha vacinal para coqueluche.

A situação epidemiológica atual tem colocado em grande risco de complicações graves e de morte os lactentes que ainda não foram imunizados, particularmente os menores de seis meses, e algumas estratégias têm sido propostas para minorar o problema usando-se as armas disponíveis no momento: as vacinas DTP e DTPa para crianças e dTpa para adolescentes e adultos. A estratégia cocooning, que consiste na vacinação de todos os indivíduos em contato com os lactentes não imunizados, depende de uma logística adequada, nem sempre factível. A vacinação da gestante com a vacina dTpa no lugar da vacina dT é bastante atraente, pois além de reduzir o risco de a mãe desenvolver coqueluche provavelmente possibilita também a proteção do bebê por um ou dois meses.. Outra opção em vista seria antecipar a vacina DTPa para o nascimento e reduzir o intervalo entre os reforços, de modo que os lactentes completassem as três primeiras doses por volta do terceiro mês de vida, como já foi feito no passado usando-se a vacina DTP. O momento é de aprender com os sucessos do passado e de desenvolvimento de melhores vacinas e estratégias para o controle da coqueluche.

Título original: Epidemic Pertussis in 2012: the ressurgence of a vaccine-preventable disease.
Publicado em: Cherry JD. N Engl J Med. 2012; 367 (9): 785-787.
Link para acesso em: http://www.nejm..org/doi/full/10.1056/NEJMp1209051