O perigo de não vacinar as crianças

“É fato científico que as vacinas trazem muito mais benefícios do que os possíveis efeitos adversos. Mas um grupo de pessoas vem optando por não imunizar os filhos para doenças que deixaram de ser comuns, como o sarampo e a difteria”. Assim começa uma matéria de uma revista semanal eletrônica nacional, a Veja.
 
Na semana anterior este mesmo assunto foi destaque em uma revista eletrônica semanal específica da área da saúde, a Medscape. Tanto nos EUA como no Brasil este fenômeno está chamando a atenção de especialistas.
 
“O que estamos percebendo é que há um aumento, mesmo que pequeno, no número de pais que buscam médicos que orientam a não vacinar a criança”, diz Eitan Berezin, presidente do Departamento Científico Infeccioso da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP).
 
Em termos históricos, na contínua luta da humanidade contra as doenças, os fatos apontam as vacinas como grande aliado. A matéria diz: “Antes de ser erradicada com o uso maciço de vacinas, no final dos anos 1970, a varíola matou 300 milhões de pessoas, contando apenas o século XX. O sarampo, uma doença altamente contagiosa, foi responsável por cerca de 2,6 milhões de mortes por ano, antes de 1980, época em que começaram as intensas campanhas de vacinação. Já os casos de poliomielite, doença que pode causar paralisia infantil, apresentaram uma queda de 99% desde 1988, quando, mais uma vez, a prevenção com vacina teve início.”
 
A matéria ainda afirma que a resistência em vacinar os filhos aparece nas camadas mais ricas da população, conforme pesquisas realizadas a pedido do Ministério da Saúde e publicado na revista Vaccine.
 
Motivos alegados pelos pais para não vacinar seus filhos:

  • Doenças que deixaram de ser comuns podem ser descartadas
  • Teorias exóticas que não recomendam vacinas
  • Medo de que a vacina possa fazer mal
  • Postura ideológica, de contestação ao que seria imposto pela indústria farmacêutica

 
Qualquer decisão tomada nestas bases incorre, em nossa opinião, em dois erros. Em primeiro lugar, trata-se de raciocínio lógico correto, mas apenas teórico. Não há comprovação prática em levantamentos populacionais referendados pela estatística médica. O segundo equívoco é encarar a vacinação como uma prática voltada para a proteção individual, sendo que não é.
 
Vacina é ferramenta de saúde pública, baseada no estudo populacional e voltada para a saúde geral das comunidades. Sendo assim, além do risco da pessoa não vacinada, escolhas individuais levam ao perigo da pessoa não vacinada adoecer e dar início a uma epidemia. Colocando a perder todo o esforço anterior para controlar o risco epidêmico da doença.
 

Alguns países já viveram esta situação, recuando na cobertura vacinal, baseados na redução da incidência da doença. Após alguns anos enfrentaram epidemias graves. Além do dano causado pela epidemia, consumiram recursos volumosos para recuperar a situação de controle.
Reconhecemos que a estratégia adotada pela saúde pública é limitada e pode ser melhorada. Por exemplo: promessa da farmacogenética, que permitirá a fabricação de vacinas individualizadas, produzidas conforme o perfil genético de cada pessoa, adequando a cobertura vacinal ao risco real de cada individuo.
 

Mas isto ainda está longe de ser uma realidade. Portanto, qual deve ser a nossa decisão? O bem estar pessoal deve balizar a decisão? Ou deve prevalecer o pensamento coletivo?
Vale a pena refletirmos.
 

Um abraço
Dr. Luis Hapner

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