Vacina contra o HPV deve ser aplicada a partir dos 9 anos

Estudo americano realizado com cerca de 390 meninas aponta que entre 10% e 45% delas já podem estar infectadas pelo vírus HPV antes mesmo da primeira relação sexual. Segundo os pesquisadores, o vírus é transmitido por meio de células contaminadas, e não por fluidos corporais. Portanto, o simples contato entre mucosas favorece o contágio.
 
A Organização Mundial de Saúde (OMS) aponta a vacinação como a forma mais efetiva de prevenção, pois imuniza contra a maioria dos tipos de vírus, encontrada apenas em clínicas privadas. O Ministério da Saúde planeja incorporar a vacina à rede pública com provável indicação para meninas na fase da pré-adolescência. Porém, a notícia está sendo considerada um incentivo à vida sexual precoce, deixando os pais receosos para a imunização de suas filhas.
 

As famosas preliminares também podem acarretar a transmissão do vírus HPV, cuja principal prevenção é a vacina

As famosas preliminares também podem acarretar a transmissão do vírus HPV, cuja principal prevenção é a vacina


 

Já o infectologista Alexandre Naime Barbosa acredita que a vacina é fundamental para a necessária prevenção do HPV. “Esse estudo é importante para sinalizar, mais uma vez, a direção da comunidade científica que vem discutindo a respeito de quando é o melhor momento para vacinar, principalmente as meninas, contra o HPV. A questão é que o HPV é um vírus altamente transmissível, principalmente através do contato sexual. Ele não precisa de nenhum tipo de quebra de barreira de mucosa e nenhuma ferida para que haja a transmissão”, afirma.
 
O especialista alerta, no entanto, que não é só a relação sexual completa, com penetração, que leva à contaminação. “Carícias e as famosas preliminares, mesmo que a penetração não se confirme, também podem acarretar a transmissão do HPV. E foi justamente isso que esse estudo demonstrou recentemente. Eles avaliaram 387 meninas entre 14 e 17 anos. Dessas, 22 eram virgens, sendo que em dez delas foram encontrados vírus HPV na região vaginal. Ou seja, dez jovens, sem nunca ter tido relação sexual completa, já tinham HPV. Isso suporta a ideia de que a vacinação para esse vírus tenha que ser mais precoce. Ou seja, antes das primeiras experiências sexuais, talvez a partir dos nove anos, quando a vacina já se prova efetiva, e não aos 11 ou 12 anos, quando começa, para uma grande parcela das meninas, as primeiras experiências”, completa o médico.

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