A associação de vacinas é sempre um avanço?

É o que se discute na Vacina Tetra viral

O medo de injeções é um dos motivos que afastam muitos da vacinação, sejam adultos ou crianças. Quando a associação de mais de uma vacina na mesma aplicação é conseguida, é visto com otimismo pelos serviços de imunização públicos e privados.

Por isso a vacina Tetra viral (MMRV) que é a associação da Vacina Tríplice Viral (rubéola, caxumba e sarampo) com a Vacina da Varicela licenciada pelo FDA (EUA) em 6 de setembro de 2005, para uso em crianças de 12 meses a 12 anos, trouxe muita satisfação. Tanto para os órgãos públicos que conseguem aumentar a cobertura vacinal, quanto para os país, pela diminuição de procedimentos dolorosos em seus bebês, já que estas duas vacinas estão indicadas para serem utilizadas no mesmo período.

Desde o licenciamento (2005) o Comitê Consultivo de Práticas de Imunização (ACIP) recomendou seu uso rotineiro no calendário americano.
Nos estudos de pré-licenciamento da vacina MMRV, foi verificado um aumento da taxa de febre, observada 5-12 e 0-42 dias após a primeira dose da vacina, em comparação com a administração de vacina MMR e vacina da varicela na mesma visita, mais com duas injeções. Por causa da associação conhecida entre febre e convulsões febris, o Center for Disease Control and Prevention (CDC) e o Laboratório Merck Sharp Dhome iniciou estudos pós-licenciamento para entender melhor o risco de convulsões febris que podem estar associados com a vacinação MMRV.

Em 27 de fevereiro de 2008, informações advindas dos estudos de pós-licenciamento foram apresentadas ao Comitê Consultivo em Práticas de Imunização (ACIP) sobre o risco de convulsões febris em crianças de 12-23 meses que receberam a vacina contra o sarampo, caxumba, rubéola e varicela (MMRV) do Laboratório Merck. Estas informações identificaram que nas crianças que foram vacinadas com a MMRV (tetra viral) e que estavam na idade entre 12-23 meses, houve aumento do risco de convulsões de qualquer etiologia – sendo isto constatado ao se fazer a comparação com grupo de mesma idade que foi vacinado com a MMR. Estes estudos demonstraram que a vacinação somente com MMR, ou com a varicela, mas aplicada separadamente no mesmo dia, diminui o risco de convulsões.

Os resultados preliminares indicaram uma taxa de convulsão febril de 9 por 10.000 vacinações entre os receptores da vacina MMRV contra 4 por 10.000 vacinações entre a vacina MMR e a Varicela em duas aplicações. Estes resultados sugerem que, cerca de uma convulsão febril adicional poderia ocorrer entre cada 2.000 crianças vacinadas com a vacina de MMRV, em comparação com crianças que foram vacinadas com a vacina MMR e vacina da varicela administrada separadamente, ainda que na mesma visita. Nenhum caso de óbito foi constatado nas crianças que convulsionaram.

Em crianças pequenas em geral, as convulsões febris não são incomuns e costumam ter um excelente prognóstico. Mas, não deixam de ser angustiantes para os pais e outros membros da família. Afirma-se que cerca de 1 em 25 crianças (4%) terá pelo menos uma convulsão febril entre 6-59 meses de idade, sendo o pico para crises febris entre 14-18 meses. Convulsões febris ocorrem mais comumente com as febres causadas por doenças infantis típicas, tais como infecções do ouvido médio, quadros virais, infecções do trato respiratório, roséola, mas pode ser associado a qualquer condição que resulte em febre. Até mesmo apos certas vacinas, elas podem raramente ocorrer.

Pois, foi com base nestes estudos apresentados em fevereiro de 2008, que o ACIP proferiu a seguinte orientação: “A vacina combinada MMRV (tetra viral) está aprovada para uso entre crianças de 12 meses a 12 anos. Porém, não expressam uma preferência pelo uso desta (associada) sobre a opção de injeções separadas (ou seja, a vacina MMR e a vacina contra a varicela aplicadas em seringas separadas e em locais diferentes do corpo)”. O citado Comitê assumiu esta postura por considerar que, com base nos dados apresentados, houve de fato aumento de convulsões relacionadas com a vacina. O ACIP também recomendou a criação de um grupo de trabalho para realizar avaliação rigorosa dos resultados em relação ao aumento do risco de convulsões febris após a primeira dose de vacina MMRV.

Em 2010, já tínhamos disponível no Brasil a vacina Tetra viral do laboratório GlaxoSmithKline, e considerando o histórico da vacina Tetra viral utilizada nos EUA (Merck Sharp Dhome) e sua relação com aumento de convulsão febril, optamos em nosso serviço de dar preferência a utilização da vacina Tríplice Viral (MMR) e Varicela em injeções separadas, nas crianças menores de 24 meses. Aguardamos resultados de novas pesquisas e recomendações de órgãos respeitados como o ACIP que possam garantir a segurança das crianças vacinadas.

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