HPV: Câncer do colo do útero pode deixar sequelas irreversíveis, diz oncologista

lose-belly-fat1

 

“A parte mais difícil foi a cirurgia. Não foi doloroso nem demorou muito tempo, mas o problema é que você não sabe se foi retirado tudo ou se vai precisar de outra cirurgia.”

 

Menos de um mês, após uma cirurgia de retirada de um câncer do colo do útero, Maria de Fátima Moreira dos Santos de 53 anos, que mora no interior de São Paulo, lembra como enfrentou a doença desde que a descobriu, dias antes da cirurgia. A operação feita em caráter de urgência, retirou um tumor maligno, mas a doença deixou sequelas irreversíveis na vida da dona de casa.

 

“Bom, eles falaram que poderia voltar, mas que já está tudo limpo, não tenho mais nada e posso viver minha vida tranquila. Se voltar não tem sossego, sua cabeça fica com esse pensamento. Quando descobri, comecei a entrar em depressão. Não pode ficar pensando porque senão a depressão vem”.

 

O câncer do colo do útero é o terceiro tipo de câncer que mais mata mulheres no Brasil. Segundo dados do Instituto Nacional do Câncer, em um período de quase 20 anos, de 1994 até 2013, morreram mais de 85 mil mulheres vítimas do câncer do colo do útero. É como se em 20 anos, no Brasil, o equivalente a um Maracanã, superlotado de mulheres, morresse com vítimas da doença. O cirurgião Oncológico do Instituto Nacional de Câncer, Gustavo Iglesias, explica como o tratamento do câncer do colo do útero é sensível e complicado. Para o especialista, mesmo com a cirurgia, a mulher que sofre um câncer do colo do útero corre riscos de ter sequelas sérias para o resto da vida.

 

“Quando o câncer se encontra restrito ao colo do útero com um tumor, de tamanho não muito grande, a preferência de tratamento em geral é pelo cirúrgico, que consiste na retirada do útero. É uma cirurgia diferente de retirada do útero, se faz com a doença benigna por mioma, ou para algo semelhante. A gente chama de histerectomia radical. É uma cirurgia de grande porte e que envolve a manipulação de estruturas em volta, que pode levar um grande prejuízo para qualidade de vida. Por exemplo: envolve a manipulação do ureter, que é o canal que vai do rim pra bexiga e a manipulação do nervo que controla a função da bexiga. Então, com frequência, as mulheres que fazem a cirurgia para o câncer do colo do útero, mesmo em estágios relativamente iniciais, podem experimentar sequelas e efeitos colaterais relacionados ao aparelho urinário, até para vida toda em alguns casos”.

 

A farmacêutica brasiliense de 28 anos, Gabriela, que pediu para ter seu sobrenome preservado, descobriu o vírus através desse exame de Papanicolau e acredita que, em alguns casos, como o dela, a paciente não tem nenhum sinal de que há algo errado no corpo.

 

“Eu não tive nenhum sintoma quando eu descobri que estava com HPV. Fui fazer um exame de rotina, a médica ao fazer a coleta  achou resquícios. Ela quis fazer um exame mais detalhado e descobriu. Então, nem no exame preventivo de rotina, se eu não tivesse uma assistência boa, não teria descoberto. Eu acho que é falta mesmo [de conscientização], primeiro que a doença é assintomática, pelo menos para mim foi, e segundo que falta um pouco dessa consciência de fazer sempre o tratamento de prevenção, acho que quando descobre já está muito mais avançado”.

 

Para ter noção do risco da doença, o médico Gustavo Iglesias explica a relação do vírus HPV com o câncer do colo do útero.

 

“Vou colocar de uma maneira simples, todo mundo conhece a relação do cigarro com o câncer de pulmão, sabemos que quem fuma pode ter câncer de pulmão. A relação da infecção pelo HPV com o câncer de colo uterino é ainda mais forte do ponto de vista estatístico. Se nós pudéssemos, teoricamente, extinguir de forma total e completa a infecção pelo HPV, nós, provavelmente, extinguiríamos também a incidência do câncer de colo do útero. Se tornaria uma doença raríssima absolutamente excepcional”.

 

Ainda de acordo com o especialista em câncer Gustavo Iglesias, a vacina contra Papiloma Vírus é a oportunidade que as meninas têm de se tornarem livres do câncer de colo uterino no futuro.

 

“Hoje, nós temos a vacina, que é um avanço absolutamente fantástico. Nós que trabalhamos com outros cânceres, além de câncer de colo uterino, gostaríamos de um dia ter uma vacina que de maneira tão simples, preveni um câncer, quanto a vacina do HPV oferece [a prevenção] para o câncer de colo uterino. É uma arma fantástica”.

 

A vacina é disponibilizada gratuitamente nas Unidades Básicas de Saúde do SUS ou em escolas parceiras. Ela foi introduzida no calendário nacional de vacinação no ano passado para atender meninas de 11 a 13 anos de idade.

 

Este ano, o Ministério da Saúde está priorizando a vacinação de crianças e adolescentes de 9 a 11 anos. Meninas e adolescentes de 12 a 13 anos, que ainda não tomaram a primeira ou a segunda dose, também devem procurar as unidades de saúde para atualizarem o cartão de vacinação. A criança ou adolescente deverá tomar três doses para completar a proteção. Quem recebeu a primeira deve receber a segunda dose, administrada seis meses depois da primeira, e a terceira, cinco anos após a primeira dose.

 

Se você é mãe, pai ou responsável por uma menina nesta idade, leve-a a uma Unidade de Saúde, junto o cartão de vacinação. A vacina é o único meio de garantir a proteção contra o HPV pelo resto da vida.

Obtenha mais informações sobre a vacina contra o câncer do colo do útero e o HPV em uma unidade de saúde mais próxima de sua casa e no portal do Ministério da Saúde na Internet, www.saude.gov.br/hpv.

 

Fonte: www.maisfm.com

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *