Hepatite viral: motivo de preocupação nos dias atuais?

hepatite viral

Uma das revistas médicas mais conceituadas do mundo, “The Lancet”, acaba de publicar um estudo mostrando que as hepatites virais, em todas as regiões do mundo, estão entre as principais causas de óbito, comprometimento, sequelas na saúde e diminuição de anos de vida útil das pessoas. Para se ter uma ideia da importância e gravidade do tema, as hepatites matam hoje mais pessoas do que a tuberculose, HIV e malária, individualmente.

Os pesquisadores apontaram que, entre os anos de 1990 e 2013, houve um aumento de aproximadamente 63% no número de óbitos por hepatites virais no mundo. Levando-se em consideração que, neste mesmo período, observamos um decréscimo nas taxas de mortalidade por outras doenças infectocontagiosas, que passaram a ser mais controladas, pode-se estimar a magnitude e as implicações urgentes desta informação para a saúde pública.

Em números absolutos, isto significa, por exemplo, que no ano de 2013 as hepatites virais foram responsáveis por 1,45 milhão de mortes no mundo.

Quem são, afinal de contas, estas “hepatites virais”? Há tratamento? Há vacinas disponíveis? Como evitar? Vamos entender.

A hepatite viral, como o próprio nome diz, é uma infecção que acomete o fígado. Pode ser causada por 5 tipos de vírus, nomeados por letras: A, B, C, D e E. Cada um destes vírus tem suas características diferentes e suas formas de contagio e evolução específicas.

O vírus da hepatite A (HAV) é em geral transmitido por água ou por alimentos contaminados com as fezes de um portador humano. Diz-se, portanto, que a transmissão é fecal-oral. Por isso, está relacionada às más condições de higiene e/ou de saneamento básico. É a mais conhecida das hepatites. Não há tratamento específico, mas a evolução em geral é boa e a recuperação é completa. Raros casos ( 0,1%) evoluem para uma hepatite fulminante. Existe vacina, que já pode ser dada em crianças acima de 1 ano de idade, e é bastante eficaz.

O HBV, ou vírus da hepatite B é em geral transmitido por sangue, secreções ou contato sexual. Dentre as pessoas acometidas, 90-95% se curam. As outras 5-10% podem permanecer com o vírus por mais de 6 meses, evoluindo para a forma crônica da doença. Estes, por sua vez, tem maior propensão a desenvolver cirrose hepática ou carcinoma hepatocelular. Não há tratamento específico. Existe vacina, cuja primeira dose é normalmente administrada na maternidade, nos primeiros dias de vida do bebê. Adolescentes ou adultos não vacinados também a podem receber.

O HCV, vírus C da hepatite, pode também ser transmitido por relações sexuais desprotegidas ou por procedimentos que envolvem sangue, sem os devidos e fundamentais cuidados de esterilização, tais como: uso de drogas injetáveis, acupuntura, colocação de piercings ou tatuagens, em precárias condições de higiene ou até mesmo por instrumentos de manicures ou barbeiros que não foram devidamente esterilizados. O problema da hepatite C é que ela pode ser totalmente assintomática nas fases iniciais. Muitos ficam sabendo que a possuem por exames laboratoriais. Mais importante ainda, é que apenas 20% dos acometidos se curam. Os 80% restantes em geral evoluem para quadros crônicos. Destes, tal como ocorre na hepatite B, uma parcela pode evoluir para cirrose ou para o carcinoma de fígado. Não há vacina específica para o HCV.

O HDV, ou vírus Delta da hepatite D tem uma característica peculiar: precisa do vírus B para contaminar alguém. Sua forma de transmissão, portanto é semelhante à do vírus B. O vírus delta pode ser adquirido junto com o vírus B, dando uma infecção simultânea, ou pode contaminar um indivíduo que já seja portador do vírus B. O HDV pode também cronificar e levar à cirrose e insuficiência hepática ou ao câncer de fígado. Não há vacina, mas como este vírus precisa do vírus B para infectar, estar vacinado contra o HBV é uma excelente forma de proteção.

O HEV, ou vírus da hepatite E, tem características semelhantes ao HAV. A transmissão se dá por via fecal-oral e não há indicação de evolução para a forma crônica. Não há vacina específica.

Nunca é demais lembrar que higienizar os alimentos, lavar as mãos após ir ao banheiro, nunca utilizar ou injetar no próprio corpo quaisquer produtos sem todas as condições plenas de esterilização e usar sempre camisinha são os métodos mais eficazes para nos garantir saúde e, principalmente, qualidade em todos os anos de nossas vidas.

Fonte: http://g1.globo.com/

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *