Hepatite viral: motivo de preocupação nos dias atuais?

hepatite viral

Uma das revistas médicas mais conceituadas do mundo, “The Lancet”, acaba de publicar um estudo mostrando que as hepatites virais, em todas as regiões do mundo, estão entre as principais causas de óbito, comprometimento, sequelas na saúde e diminuição de anos de vida útil das pessoas. Para se ter uma ideia da importância e gravidade do tema, as hepatites matam hoje mais pessoas do que a tuberculose, HIV e malária, individualmente.

Os pesquisadores apontaram que, entre os anos de 1990 e 2013, houve um aumento de aproximadamente 63% no número de óbitos por hepatites virais no mundo. Levando-se em consideração que, neste mesmo período, observamos um decréscimo nas taxas de mortalidade por outras doenças infectocontagiosas, que passaram a ser mais controladas, pode-se estimar a magnitude e as implicações urgentes desta informação para a saúde pública.

Em números absolutos, isto significa, por exemplo, que no ano de 2013 as hepatites virais foram responsáveis por 1,45 milhão de mortes no mundo.

Quem são, afinal de contas, estas “hepatites virais”? Há tratamento? Há vacinas disponíveis? Como evitar? Vamos entender.

A hepatite viral, como o próprio nome diz, é uma infecção que acomete o fígado. Pode ser causada por 5 tipos de vírus, nomeados por letras: A, B, C, D e E. Cada um destes vírus tem suas características diferentes e suas formas de contagio e evolução específicas.

O vírus da hepatite A (HAV) é em geral transmitido por água ou por alimentos contaminados com as fezes de um portador humano. Diz-se, portanto, que a transmissão é fecal-oral. Por isso, está relacionada às más condições de higiene e/ou de saneamento básico. É a mais conhecida das hepatites. Não há tratamento específico, mas a evolução em geral é boa e a recuperação é completa. Raros casos ( 0,1%) evoluem para uma hepatite fulminante. Existe vacina, que já pode ser dada em crianças acima de 1 ano de idade, e é bastante eficaz.

O HBV, ou vírus da hepatite B é em geral transmitido por sangue, secreções ou contato sexual. Dentre as pessoas acometidas, 90-95% se curam. As outras 5-10% podem permanecer com o vírus por mais de 6 meses, evoluindo para a forma crônica da doença. Estes, por sua vez, tem maior propensão a desenvolver cirrose hepática ou carcinoma hepatocelular. Não há tratamento específico. Existe vacina, cuja primeira dose é normalmente administrada na maternidade, nos primeiros dias de vida do bebê. Adolescentes ou adultos não vacinados também a podem receber.

O HCV, vírus C da hepatite, pode também ser transmitido por relações sexuais desprotegidas ou por procedimentos que envolvem sangue, sem os devidos e fundamentais cuidados de esterilização, tais como: uso de drogas injetáveis, acupuntura, colocação de piercings ou tatuagens, em precárias condições de higiene ou até mesmo por instrumentos de manicures ou barbeiros que não foram devidamente esterilizados. O problema da hepatite C é que ela pode ser totalmente assintomática nas fases iniciais. Muitos ficam sabendo que a possuem por exames laboratoriais. Mais importante ainda, é que apenas 20% dos acometidos se curam. Os 80% restantes em geral evoluem para quadros crônicos. Destes, tal como ocorre na hepatite B, uma parcela pode evoluir para cirrose ou para o carcinoma de fígado. Não há vacina específica para o HCV.

O HDV, ou vírus Delta da hepatite D tem uma característica peculiar: precisa do vírus B para contaminar alguém. Sua forma de transmissão, portanto é semelhante à do vírus B. O vírus delta pode ser adquirido junto com o vírus B, dando uma infecção simultânea, ou pode contaminar um indivíduo que já seja portador do vírus B. O HDV pode também cronificar e levar à cirrose e insuficiência hepática ou ao câncer de fígado. Não há vacina, mas como este vírus precisa do vírus B para infectar, estar vacinado contra o HBV é uma excelente forma de proteção.

O HEV, ou vírus da hepatite E, tem características semelhantes ao HAV. A transmissão se dá por via fecal-oral e não há indicação de evolução para a forma crônica. Não há vacina específica.

Nunca é demais lembrar que higienizar os alimentos, lavar as mãos após ir ao banheiro, nunca utilizar ou injetar no próprio corpo quaisquer produtos sem todas as condições plenas de esterilização e usar sempre camisinha são os métodos mais eficazes para nos garantir saúde e, principalmente, qualidade em todos os anos de nossas vidas.

Fonte: http://g1.globo.com/

Caxumba, sarampo e rubéola: por que há surtos dessas doenças atualmente nos jovens?

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Essa pergunta nos remete a entender o processo de vacinação, geralmente associado, erroneamente, às crianças.

Quando uma criança é vacinada corretamente, leva, geralmente, a proteção adquirida pela vacinação para a vida adulta. No entanto, quando há alguma falha de vacinação na infância, temos por conseguinte adolescentes e adultos desprotegidos, sendo que esses não se dão conta do perigo porque entendem que “vacinação é coisa de crianças”.

Ainda, há vacinas que requerem reforços periódicos durante toda a vida, como é o caso, por exemplo, da vacina contra a Difteria e Tétano.

Também temos que considerar que os calendários de vacinação foram se alterando com o passar dos anos. Muitas vacinas foram introduzidas ao calendário, fazendo com que muitos adultos e adolescentes não tenham sido contemplados com essa vacinação durante sua infância, chegando à adolescência e fase adulta sem as devidas proteções.

Por fim, há vacinas que os esquemas também foram alterados com o passar do tempo como, por exemplo, a vacinação contra o Sarampo, Caxumba e Rubéola. Introduzida calendário de vacinação no início da década de 90, era realizada com apenas uma dose e, somente em 2004, foi introduzida a segunda dose da vacina. Hoje sabemos que para que uma pessoa possa se considerar efetivamente protegida são necessárias duas doses dessa vacina a partir de 12 meses de idade.

Sendo assim, podemos entender porque muitos adolescentes e adultos jovens não estão completamente imunizados contra essas doenças: ou porque não foram vacinados, ou foram com apenas uma dose. Ou ainda perderam suas proteções durante o passar dos anos, fato que não é comum com a vacina tríplice viral; desta forma temos um contingente de não protegidos que se acumulou com o passar dos anos e que não foram expostos aos vírus selvagens, exatamente por estarem vivendo em ambientes de baixa circulação desses vírus, em função de altas coberturas vacinais. Quando esses jovens se expõem a ambientes onde não há boas coberturas vacinais e esses vírus estão circulando mais amplamente acontecem os surtos dessas doenças, como vêm ocorrendo recentemente na Europa e EUA. No Brasil, o sarampo que estava em vias de ser completamente controlado, graças à vacinação. Porém nos últimos anos, vem se reapresentando. Nos últimos meses estamos observando o mesmo com a caxumba.

Sobre a Caxumba: é uma doença viral de transmissão respiratório através de contato direto ou secreções da pessoa doente, com período de incubação de 12 a 25 dias e de transmissão de 2 dias antes do aparecimento da Parotidite até 9 dias depois. Suas complicações são: meningite, surdez, e inflamação nos ovários (ooforite) ou testículos (orquite).

Como os adolescentes e adultos jovens devem se comportar?

Todos os adolescentes e adultos devem ter recebido duas doses da vacina tríplice viral durante a vida, após os 12 meses de idade. Todos aqueles que não as receberam devem buscar a vacinação, pois são considerados protegidos aqueles que receberam pelo menos duas doses da vacina durante a vida. Maiores de 50 anos, por terem passado por períodos de alta incidência da doença no Brasil, podem se considerar protegidos com apenas uma dose da vacina.

Lavar as Mãos é a Melhor Vacina

Lavar as mãos com sabão é uma das ‘vacinas’ mais baratas e eficazes contra doenças virais.

Lavar as mãos é tão importante para a saúde que a Organização das Nações Unidas instituiu, em 2008, o dia 15 de outubro como o Dia Mundial da Lavagem das Mãos. À medida que a resposta ao ebola tem vindo a afetar os serviços de saúde nos países atingidos, lavar as mãos pode ser fundamental para a contenção de doenças virais, avisa a UNICEF.

Lavar as mãos

Lavar as mãos

“Lavar as mãos com sabão é uma das ‘vacinas’ mais baratas e eficazes contra doenças virais, desde a gripe sazonal, à constipação mais comum,” afirmou Sanjay Wijesekera, responsável dos programas de água, saneamento e higiene da UNICEF. “As nossas equipes em Serra Leoa, Libéria e Guiné estão descadando a importância de lavar as mãos como parte de uma série de medidas necessárias para travar a propagação do ebola. Não é uma fórmula mágica, mas é um meio de defesa adicional, barato e facilmente disponibilizado”, explicou, em comunicado.

Mas nem só nos países africanos é que lavar bem as mãos é fundamental. As mãos devem ser lavadas com água e sabão principalmente antes e depois das refeições, antes de preparar alimentos, de pegar em bebês e de coçar os olhos, de mexer com dinheiro e animais, ao tossir ou espirrar.

Só em 2013, mais de 340 mil crianças com menos de cinco anos morreram de doenças ligadas a diarreia devido à falta de água segura para consumo, saneamento e higiene básica. São quase mil por dia. A UNICEF distribuiu artigos de proteção, tais como fatos, luvas e lixívia, bem como 1,5 milhões de barras de sabão na Serra Leoa e vários milhões na Libéria e na Guiné.

Depois, é preciso não se esquecer da sua importância. Para lembrar a contribuição da lavagem das mãos com sabão na prevenção de doenças comuns, mas potencialmente fatais, tais como a diarreia, há algumas atividades preparadas um pouco por todo o mundo para o Dia Mundial da Lavagem das Mãos. No Sri Lanka, por exemplo, mais de 38 mil alunos de 96 escolas vão participar em eventos com esta iniciativa juntamente com políticos e membros da sociedade. No Líbano, a mensagem ‘Proteja a sua saúde; lave as mãos’ vai ser enviada por SMS a centenas de pessoas. No Mali, vai acontecer uma campanha nacional, bem como ações de lavagem das mãos e distribuição de barras de sabão em dezenas de escolas. Estão também a ser organizados vários eventos na Gâmbia, na Nigéria e no Camboja, entre outros países.

VACINAS: As pessoas se esqueceram de como algumas doenças são ruins…

Segundo Seth Berkley, presidente da Aliança Global para Vacinas e Imunização, isso explica por que uma camada da população escolhe não vacinar seus filhos.

O americano Seth Berkley, 56 anos, é uma das autoridades em imunização no mundo. Médico especializado em doenças epidemiológicas e saúde pública internacional, ele é o presidente da Aliança Global para Vacinas e Imunização (Gavi Alliance), uma parceria público-privada que financia o fornecimento de vacinas a preços reduzidos para os 73 países mais pobres do mundo.
 

Cerca de 1,5 milhão de crianças morrem anualmente em decorrência de doenças que poderiam ser prevenidas com vacinas (Thinkstock)

Cerca de 1,5 milhão de crianças morrem anualmente em decorrência de doenças que poderiam ser prevenidas com vacinas (Thinkstock)


 

Desde que foi lançada, em 2000, a Gavi Alliance já imunizou 288 milhões de crianças, evitou mais de 5 milhões de mortes e ampliou a cobertura vacinal mundial de 73% para 83%. Até 2020, a organização pretende salvar mais de 10 milhões de vidas e prevenir mais de 200 milhões de casos de doenças.
 
Berkley trabalhou como epidemiologista em 25 países, incluindo o Brasil, onde estudou um surto de febre purpúrica e outras doenças tropicais, nos anos 1980. Em 1996, ele fundou a maior iniciativa mundial para o desenvolvimento da vacina contra a aids, a International Aids Vaccine Initiative (Iavi), que presidiu por quinze anos.
 
É o médico quem vai coordenar a distribuição da primeira vacina brasileira para exportação, anunciada em outubro de 2013. Cerca de 30 milhões de doses anuais contra rubéola e sarampo serão produzidas por meio de uma parceria firmada entre o laboratório Bio-Manguinhos, a Fundação Oswaldo Cruz e a Fundação Bill & Melinda Gates.
 
Berkley vê uma diferença entre como as vacinas são recebidas nos países miseráveis onde a Gavi atua e nas nações ricas do Ocidente. Enquanto pessoas sem acesso à saúde fazem de tudo para chegar a um posto de vacinação, uma camada da população de países desenvolvidos escolhe não vacinar seus filhos.
 
Há um fenômeno no Ocidente de pais deixarem de vacinar seus filhos por considerar a imunização prejudicial. Por que o ceticismo em relação às vacinas está aumentando? Em nações desenvolvidas, as pessoas buscam cada vez mais consumir produtos orgânicos e encontrar alternativas naturais de vida. Como várias doenças estão erradicadas, as pessoas esqueceram quão ruins elas são e não as veem como ameaçadoras. O interessante é que, quando há surtos de moléstias que matam bebês e deixam outros seriamente doentes, como um de rubéola recentemente no País de Gales, os pais correm para vacinar seus filhos. É o contrário do que acontece na maioria dos países em que a Gavi atua. Em Estados pobres, as vacinas são muito bem aceitas. As pessoas chegam a caminhar um dia inteiro ou fazer várias viagens para chegar ao posto de vacinação, porque veem que essas doenças matam e afetam pessoas o tempo todo.
 
Diversos sites e blogs são engajados em divulgar males provocados por vacinas. O que o senhor diria para quem acredita nessas teorias? Nem todo mundo tem o cuidado de VEJA ou de outras fontes confiáveis para publicar notícias. Uma vez que uma notícia se espalha na internet, é difícil corrigi-la. Houve, por exemplo, um estudo que relacionou a vacina de rubéola e sarampo a casos de autismo. Dezenas de pesquisas posteriores de larga escala foram realizadas e nenhuma encontrou relação entre o autismo e as vacinas. Como consequência, a publicação foi desacreditada e o autor perdeu sua licença médica. Mas a primeira notícia continua na internet. Se você não é especialista em epidemiologia ou ciência, fica difícil entender que doenças relativamente comuns em crianças podem se manifestar no dia em que elas são imunizadas, na véspera ou no dia seguinte, porque a moléstia vai aparecer por acaso. Então a questão não é “vacinei meu filho e a doença tal apareceu”. É preciso analisar se, depois da vacinação, a incidência da doença aumentou como um todo.
 
Por que as vacinasnão são 100% seguras? Vacinas criam um falso alarme de que o organismo foi infectado. O sistema imune responde, de modo que a pessoa estará protegida no futuro. É preciso encontrar a medida certa para o organismo responder, sem causar efeitos colaterais. A maioria das vacinas tem efeitos colaterais raros, geralmente relacionados a substâncias que não aceitas por uma pequena parcela da população.
 
Quantas crianças morrem anualmente em decorrência de doenças que poderiam ser prevenidas com vacinasCerca de 1,5 milhão.
 
O programa de imunização brasileiro tem cobertura de 95%. Mesmo assim, de tempos em tempos, há surtos de doenças como rubéola e coqueluche. Por que isso acontece? Uma cobertura de 95% normalmente significa que algumas áreas têm 100% de cobertura e outras 85% ou 90%. Se esse padrão se repete por um tempo, esses 15% que não foram imunizados ficam suscetíveis ao contágio, de modo que podem se infectar e criar uma epidemia. Isso é diferente do que tem acontecido hoje em muitas partes do mundo: pessoas infectadas por um agente que vem de outros países.

Neste ano, o governo brasileiro começará a imunizar meninas de 11 a 13 anos contra HPV. Em 2015, o público-alvo serão crianças de 9 a 11 anos. Do ponto de vista médico, qual é a idade certa para vaciná-las? Há um consenso de que é preciso imunizar as meninas antes que elas iniciem a vida sexual. Como não é possível datar esse evento individualmente, o que se tem feito é dar a vacina alguns anos antes que isso aconteça. Alguns países adotam como parâmetro 9, 10 e 11 anos, pois há pouquíssimas meninas já ativas sexualmente nessa idade. Outros podem adotar 12 e 13 anos, mas aí o número de meninas sexualmente ativas aumenta. Se você tomar três doses antes de iniciar a vida sexual, estará protegida contra o câncer cervical.Mulheres mais velhas deveriam ser vacinadas também? Depende do tempo em que a mulher é sexualmente ativa e do índice de contaminação de HPV no país. Se a mulher tiver 20 e tantos anos e um histórico de vários parceiros, provavelmente ela já estará infectada. Tomar a vacina não causará nenhum mal, mas tampouco prevenirá a doença.
 
Por que é importante países como o Brasil produzirem vacinas para exportação? Vacinas são extremamente difíceis de fazer. Elas são feitas com um ser vivo, em um processo caro e complicado. Não é como um medicamento, que você pode criar na sua garagem, com a condição que o remédio seja quimicamente puro. Por causa do custo elevado de produção, há apenas alguns produtores de vacinas, que só querem estar onde o mercado é grande o suficiente para justificar o investimento. Nesse cenário, países como Brasil e Índia desempenham um papel importante. Como eles têm um consumo doméstico que os permite produzir em larga escala, podem também aumentar sua capacidade para exportar. Há muito tempo estamos tentando fabricar vacinas no Brasil. Esperamos ainda mais no futuro.
 
As vacinas do Brasil serão mais baratas do que as comercializadas por grandes farmacêuticas? Eu ainda não posso falar sobre o custo. As doses provavelmente serão mais baratas do que as produzidas por grandes farmacêuticas ocidentais, mas mais caras do que as fabricadas em partes do mundo como a Índia, em função de custos trabalhistas, fornecedores etc.

Estão definidos os países para onde as vacinas produzidas no Brasil serão exportadas? A Gavi fornece para os 73 países mais pobres do mundo. Quando os países se tornam mais ricos, essa lista muda. Há nações na Ásia, América Latina, Leste da Europa e, principalmente, África.
 
O senhor presidiu por quinze anos o maior programa mundial para o desenvolvimento de uma vacina contra a aids. Em 2013, a vacina foi testada com sucesso em macacos. Quando o senhor acha que a vacina estará pronta? É muito difícil prever o timing da ciência. Estou entusiasmado pela incrível pesquisa que tem sido feita para desenvolver remédios que neutralizem os anticorpos e pelo trabalho de injetar coisas que produzam esses anticorpos. Mas não posso dizer quando a vacina ficará pronta. Espero que seja logo.
 
Estimativas iniciais previam que a vacina ficasse pronta por volta de 2008. Por que está demorando mais do que o imaginado? A vacina contra o HIV é provavelmente a mais desafiadora que a ciência já tentou desenvolver. A razão disso é que o vírus está sempre mudando e não há exemplos de pessoas imunes a ele. Se compararmos as mutações do vírus de HIV com o de gripe, o da gripe teria o tamanho de uma tampa de garrafa, enquanto o do HIV, o de uma garrafa. É um problema muito maior, mas estou convencido de que os cientistas vão resolver essa equação.
 
O vírus da gripe é mutante e, por isso, muita gente diz que a vacina contra a doença seria inútil. Qual é a sua opinião?
A vacina contra a gripe não é incrível, mas funciona em aproximadamente 70% dos casos, em alguns anos mais, em outros menos. É verdade que o vírus pode mudar e a vacina não ser tão boa, mas ainda assim ela previne milhares de mortes. Algumas pesquisas que fizemos para a vacina do HIV estão sendo usadas na tentativa de criar uma vacina global contra a gripe.
 
É possível desenvolver vacinas sem testá-las em animais? Creio que seja possível, mas todas as agências regulatórias exigem, como medida de segurança, que as vacinas sejam primeiramente testadas em animais, antes de injetadas em bebês saudáveis. Do ponto de vista regulatório, nenhum lugar do mundo vai dispensar esses experimentos preliminares, feitos na maioria dos casos em roedores, coelhos e, mais raramente, macacos.
 
Quais devem ser as próximas vacinas a serem lançadas? Nossa prioridade é a vacina japonesa contra encefalite, na Ásia. Outra aposta é a vacina contra malária, que está nos últimos testes.
 
Artigo Publicado no site da Revista Veja: http://veja.abril.com.br/noticia/saude/as-pessoas-no-ocidente-se-esqueceram-de-como-algumas-doencas-sao-ruins

Cólica em bebê? Por que? Existe uma solução?

O que falar sobre a cólica em bebê?

Provavelmente, você já viu cólica em bebê! Ou, com certeza, você sabe o que é cólica e, talvez, também tem alguma técnica para tratá-la.

Isto quer dizer que este problema é simples e fácil de ser resolvido. Então, como explicar o fato deste problema permanecer sem solução após gerações de bebês.

Por que o sofrimento persiste? Como a medicina, no auge de sua modernidade, ainda não tem uma resposta consistente para a cólica? Isto parece não ter lógica para você?

Portanto, é razoável dizer que há algo mais sutil, mais delicado, mais difícil de perceber se olhamos apenas para a superfície da cólica, como se fosse somente um problema de dor intestinal. Aceitando que o problema é mais complexo, precisamos então definir as bases dessa complexidade. Vamos lá:

Em um bebê, nada está maduro, nenhuma função é plena. É claro que, devemos reconhecer que os órgãos e sistemas não tem um grau elevado de exigência. Mas, o aparelho da digestão é diferente, ele tem a missão de fazer frente as necessidades nutricionais do bebê, e isto em alta taxa metabólica. Ou seja, mesmo em um bebê, o aparelho digestivo é altamente exigido. Mas, mesmo exigido, isto não lhe confere amadurecimento por si só. Equivale dizer que é quase certo que ele não vai funcionar da forma mais eficiente e tranquila. Então, haverá algum grau de desconforto obrigatoriamente ocorrendo na digestão do bebê.

O desconforto da digestão é natural, leve ou moderado.
Mas, e se o bebe reage de forma tao intensa? Como se fosse muito grave?


Para entendermos esta questão, precisamos acrescentar um novo dado: o aparelho psíquico do bebê encontra-se igualmente imaturo e não vai interpretar com naturalidade o desconforto digestivo gerando assim um comportamento desproporcional.

Existe ainda, mais um fator, que não é do bebê. É dos cuidadores, na maior parte dos casos, a mãe. Trata-se do transtorno adaptativo nos primeiros tempos da mãe com seu bebê. Devemos lembrar que o recém chegado é um ilustre desconhecido. Se espera da mãe que ela “aprenda-o” instantaneamente. O que evidentemente não ocorre. Isto traz para o momento da cólica, uma frustração misturada com ansiedade que em nada ajudam o bebê a recobrar a tranquilidade diante do desconforto intestinal.

Resumindo, os componentes da cólica são:
1. Imaturidade do sistema neurovegetativo que controla mal a digestão;
2. Um psiquismo igualmente imaturo que faz o bebê reagir desproporcionalmente;
3. A ansiedade da mãe é mais uma contribuição involuntária, mas real.

Diante deste quadro, não haverá nenhum remédio que dê conta da tantas variáveis. É preciso abordar a situação com o máximo de calma, entender que o processo da cólica é complexo e angustiante, mas que não é grave. Medicamentos analgésicos pouco ajudam.

Neste momento, surge a oportunidade de mencionarmos duas técnicas de tratamento que tem oferecido algum alivio. São elas: a homeopatia e a acupuntura.


Estas técnicas tem como finalidade o estimulo das funções fisiológicas do organismo. A homeopatia o faz por meio de medicamentos, e a acupuntura usa agulhas, embora no caso de bebes as agulhas possam ser substituídas por laser ou colocação de sementes na orelha.
Este tipo de estimulo pode, de maneira suave e natural, favorecer o melhor funcionamento da função digestiva, reduzindo em parte o desconforto do bebê.

A resposta ao tratamento varia para cada bebê, uma vez que uma condição determinada por tantas variáveis, não pode ser controlada de maneira simplista. Melhor seria considerar a cólica, não como uma doença, mas sim como um transtorno adaptativo, quase fisiológico.
Um abraço e até a próxima.

Dr. Luiz Renato Hapner
Médico especialista em acupuntura e homeopatia
CRM: 9502 – PR

O perigo de não vacinar as crianças

“É fato científico que as vacinas trazem muito mais benefícios do que os possíveis efeitos adversos. Mas um grupo de pessoas vem optando por não imunizar os filhos para doenças que deixaram de ser comuns, como o sarampo e a difteria”. Assim começa uma matéria de uma revista semanal eletrônica nacional, a Veja.
 
Na semana anterior este mesmo assunto foi destaque em uma revista eletrônica semanal específica da área da saúde, a Medscape. Tanto nos EUA como no Brasil este fenômeno está chamando a atenção de especialistas.
 
“O que estamos percebendo é que há um aumento, mesmo que pequeno, no número de pais que buscam médicos que orientam a não vacinar a criança”, diz Eitan Berezin, presidente do Departamento Científico Infeccioso da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP).
 
Em termos históricos, na contínua luta da humanidade contra as doenças, os fatos apontam as vacinas como grande aliado. A matéria diz: “Antes de ser erradicada com o uso maciço de vacinas, no final dos anos 1970, a varíola matou 300 milhões de pessoas, contando apenas o século XX. O sarampo, uma doença altamente contagiosa, foi responsável por cerca de 2,6 milhões de mortes por ano, antes de 1980, época em que começaram as intensas campanhas de vacinação. Já os casos de poliomielite, doença que pode causar paralisia infantil, apresentaram uma queda de 99% desde 1988, quando, mais uma vez, a prevenção com vacina teve início.”
 
A matéria ainda afirma que a resistência em vacinar os filhos aparece nas camadas mais ricas da população, conforme pesquisas realizadas a pedido do Ministério da Saúde e publicado na revista Vaccine.
 
Motivos alegados pelos pais para não vacinar seus filhos:

  • Doenças que deixaram de ser comuns podem ser descartadas
  • Teorias exóticas que não recomendam vacinas
  • Medo de que a vacina possa fazer mal
  • Postura ideológica, de contestação ao que seria imposto pela indústria farmacêutica

 
Qualquer decisão tomada nestas bases incorre, em nossa opinião, em dois erros. Em primeiro lugar, trata-se de raciocínio lógico correto, mas apenas teórico. Não há comprovação prática em levantamentos populacionais referendados pela estatística médica. O segundo equívoco é encarar a vacinação como uma prática voltada para a proteção individual, sendo que não é.
 
Vacina é ferramenta de saúde pública, baseada no estudo populacional e voltada para a saúde geral das comunidades. Sendo assim, além do risco da pessoa não vacinada, escolhas individuais levam ao perigo da pessoa não vacinada adoecer e dar início a uma epidemia. Colocando a perder todo o esforço anterior para controlar o risco epidêmico da doença.
 

Alguns países já viveram esta situação, recuando na cobertura vacinal, baseados na redução da incidência da doença. Após alguns anos enfrentaram epidemias graves. Além do dano causado pela epidemia, consumiram recursos volumosos para recuperar a situação de controle.
Reconhecemos que a estratégia adotada pela saúde pública é limitada e pode ser melhorada. Por exemplo: promessa da farmacogenética, que permitirá a fabricação de vacinas individualizadas, produzidas conforme o perfil genético de cada pessoa, adequando a cobertura vacinal ao risco real de cada individuo.
 

Mas isto ainda está longe de ser uma realidade. Portanto, qual deve ser a nossa decisão? O bem estar pessoal deve balizar a decisão? Ou deve prevalecer o pensamento coletivo?
Vale a pena refletirmos.
 

Um abraço
Dr. Luis Hapner