Microagulhas prometem acabar com a dor na hora de tomar vacina

injecao-sem-dor-thumb

Desde que as agulhas hipodérmicas foram desenvolvidas, no século 19, a tecnologia de injeção de substâncias no corpo pouco mudou. Elas ficaram mais finas e curtas, mas continuam assustadoras para muita gente, principalmente crianças. Dependendo de como se aplica, de fato podem ser dolorosas e provocar hematomas, pois atingem o tecido subcutâneo, onde estão nervos e vasos sanguíneos. Mas, no futuro próximo, a frase “é só uma picadinha de mosquito” poderá se tornar realidade. Com materiais nanométricos, cientistas estão desenvolvendo microagulhas para aplicação de medicamentos e vacinas. Como um adesivo, são colocadas na pele e retiradas rapidamente, sem provocar nenhum desconforto.

Há duas décadas pesquisando as microagulhas, um dos maiores especialistas no assunto, o engenheiro biomolecular Mark Prausnitz, do Instituto de Tecnologia dA Geórgia, nos Estados Unidos, acredita que passou da hora de abolir o método de aplicação tradicional. “Para uma substância ser dissolvida no organismo e chegar à corrente sanguínea, ela tem de atravessar a barreira superficial da pele, que é muito fina; a espessura corresponde a mais ou menos um décimo de um fio de cabelo humano. Então, a agulha hipodérmica realmente é um exagero. Nós podemos usar algo muito menor”, defende.

Prausnitz lembra que, há tempos, os engenheiros eletrônicos sabem como reduzir aparelhos diversos em níveis nanométricos. “Já tínhamos o conhecimento tecnológico para fazer coisas bem pequenas. Então, pegamos isso e adaptamos para construir microagulhas”, diz. Em seu laboratório, ele desenvolveu, recentemente, um adesivo para imunizar contra sarampo. Trata-se de um pequeno curativo contendo 100 microagulhas com 0,5mm de tamanho. Visto sob uma lupa, a superfície assemelha-se a um tapete pontilhado.

Armazenamento
Cada ponto é uma agulhinha feita de vacina seca (o líquido é desidratado e fica como um pó), açúcar, polímeros e alguns outros ingredientes. As moléculas de polímero, explica Prausnitz, são cadeias longas de grupos atômicos repetidos. Graças a isso, as microagulhas não se curvam nem se quebram antes de entrar na pele. Já os outros componentes ajudam a manter a imunização estável. Assim que o adesivo é colocado no corpo, as agulhas entram na pele e dissolvem o material nos fluidos da própria epiderme. Isso faz com que a substância seja alcançada pelas células do sistema imunológico, desencadeando o processo de proteção. Já o polímero é totalmente descartado pela urina. O adesivo deve ficar na pele por 15 minutos.

Fonte: http://www.correiobraziliense.com.br/

OMS recomenda vacinação pública contra a dengue em países com alto número de casos da doenças

injecao1

A Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgou parecer favorável à inserção da vacina contra a dengue nos programas de imunização de países onde há alta incidência da doença. A expectativa é a de que, em 30 anos, a vacinação sistemática de crianças a partir de 9 anos reduza os casos sintomáticos e a hospitalização decorrente da enfermidade entre 10% a 30%.

De acordo com o position paper, os estudos realizados até o momento sugerem que os melhores resultados em termos de saúde pública são obtidos quando a soroprevalência no público-alvo é superior a 70%. Caso o índice esteja entre 50% e 70%, haverá impacto positivo, porém mais discreto. Abaixo disso, a imunização não é recomendada. O motivo é a menor eficácia do imunobiológico em pessoas que não tiveram contato prévio com o vírus.

O documento ressalta, ainda, que a vacinação contra deve ser parte de um complexo plano de combate à dengue, que inclua um sistema de vigilância epidemiológica bem estruturado, ações para evitar a proliferação do mosquito, bem como profissionais e estruturas hospitalares capazes de atender às necessidades dos doentes.

A Dengvaxia®, fabricada pelo laboratório francês Sanofi-Pasteur, é a primeira vacina contra a dengue a chegar ao mercado. Licenciada para uso em pessoas de 9 a 45 anos, ela demonstrou nos testes clínicos eficácia de 65.6% contra os quatro sorotipos do vírus e mostrou-se capaz de reduzir em até 80% o total de episódios graves da doença.

O esquema vacinal é de três doses, com intervalo de seis meses entre cada uma. Por se tratar de uma vacina atenuada, é contraindicada a gestantes e pessoas com algum comprometimento do sistema imunológico.

Off label

Apesar de não licenciada para maiores de 45 anos, a OMS afirma que a vacinação do grupo pode ser considerada por autoridades de regiões onde a incidência de dengue no faixa-etária é elevada. A orientação não vale para os menores de 9 anos.

Fonte: http://sbim.org.br/

Vacina contra dengue já pode ser comercializada no Brasil

shutterstock_235884964

Após sete meses registrada na Agência Nacional de Vigilância Sanitária, a vacina contra a dengue já pode ser comercializada no Brasil. O Comitê Técnico Executivo da Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (Cmed) determinou que o preço da Dengvaxia, como é chamada a vacina da Sanofi Pasteur, vai variar entre R$ 132,76 e R$ 138,53, dependendo do ICMS adotado em cada estado.

O valor estipulado é o que será pago ao fabricante por clínicas, hospitais e distribuidores e deve ser bem diferente do que será cobrado do consumidor final. “Os valores para um mercado privado não refletem o que vai ser praticado. As clínicas tem taxa de aplicação, tem tributação da clínica, tem que pagar sua estrutura. Esse preço é muito longe do que o mercado vai trabalhar para o consumidor final. Esse é o preço de fábrica que a Sanofi vai colocar no comércio”, explicou Renato Kfouri, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações.

De acordo com o infectologista, o produto é um avanço, considerando que o Brasil vivencia há muitos anos um grande problema de saúde pública devido ao vírus da dengue. Em 2016, até 11 de junho, mais de 1,3 milhão de pessoas tiveram dengue em todo o país e 318 pessoas morreram em decorrência da infecção pelo vírus.

Fabricada pela empresa francesa Sanofi Pasteur e registrada no Brasil desde dezembro de 2015, a Dengvaxia é a primeira vacina desenvolvida contra a dengue no mundo e só precisava da determinação do valor de fábrica para poder ser vendida. Segundo a Anvisa, a demora ocorreu devido ao ineditismo do produto, já que normalmente a estipulação de preços leva em conta outros produtos semelhantes no mercado.

O imunizante é indicado para pessoas entre 9 e 45 anos, deve ser aplicado em três doses com intervalo de seis meses entre elas. O fabricante garante proteção contra os quatro tipos do vírus da dengue. Segundo os estudos, a proteção é de 93% contra casos graves da doença, redução de 80% das internações e eficácia global de pouco mais de 60% contra todos os tipos do vírus. A capacidade de produção do laboratório é de 100 milhões de doses por ano.

Para Kfouri, a eficácia da vacina é satisfatória e segue o padrão de vacina como a contra varicela e contra o rotavírus, que evitam completamente cerca de 60% dos casos das doenças, mas tem um impacto maior na redução de casos graves, que poderiam levar a hospitalizações e à morte.

SUS

Apesar de poder ser comercializada em todo o Brasil, ainda não há determinação sobre se a Dengvaxia será utilizada na rede pública. Para isso, o Ministério da Saúde deve fazer estudos sobre o custo/benefício da compra e distribuição do produto e de qual seria a estratégia de aplicação para ter impacto em termos de saúde pública.

Para Renato Kfouri, a decisão do Ministério da Saúde de não adotar imediatamente a vacina é adequada, já que um programa nacional de imunização requer uma visão ampla de como a doença se comporta e de quais seriam as estratégias de aplicação.

“A vacina tem eficácia de cerca de 60% contra os quatro tipos de dengue, mas em termos de saúde pública, para conseguir atingir esses números, quantas pessoas teríamos que vacinar? Todas de nove a quarenta e cinco? Crianças entre nove e dez anos? Adultos? Quem devo vacinar? Que quantidade de vacinas tenho a oferecer? Quantas seriam necessárias para um bom impacto? Com quantos indivíduos vacinados terei impacto?”, questionou o especialista.

Ele ressalta ainda que as estratégias de vacinação em adultos costumam ser bem menos eficazes do que as que têm como público alvo as crianças, já que a adesão é frequentemetne menor.

Desta forma, como uma ação individual, de quem pode pagar, a vacina é uma boa estratégia de prevenção, porém, para a introdução em um programa de imunizações são necessários estudos mais aprofundados. “Em nível de saúde individual, em clínica privada, é um ganho enorme, revoluciona, mas a posição do Ministério da Saúde foi cautelosa e adequada”, pontuou Kfouri.

Fonte: http://agenciabrasil.ebc.com.br/