Vacina contra meningite B chega ao Brasil; dose custará a partir de R$ 340

A farmacêutica GSK lança nesta terça-feira (5) no Brasil uma nova vacina para prevenir a meningite bacteriana tipo B, imunização ainda não realizada na rede pública para combater o subtipo da doença.


Aprovada em janeiro pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), a vacina chamada de Bexsero já é oferecida pela companhia nos Estados Unidos e na Europa.


Desenvolvida a partir de 1995, a medicação é recomendada principalmente para crianças com até 1 ano. Segundo a GSK, cada dose será oferecida às clínicas por R$ 340, mas o preço pode variar entre os estados brasileiros devido à tributação.


Segundo a empresa, bebês com idade entre 2 a 5 meses precisam tomar três doses. Em crianças com faixa etária entre 6 e 11 meses, a recomendação é de duas doses. Ambas as faixas etárias são classificadas como grupo prioritário.


Já para quem tem mais de 1 ano e até 50 anos, a recomendação é de duas doses.
A GSK vai requerer ao Ministério da Saúde a incorporação do medicamento no Sistema Único de Saúde (SUS). Caso seja aprovada, a vacina poderá integrar o calendário nacional de vacinação.


O que é a meningite?
As meninges são as membranas que envolvem todo o sistema nervoso central. A meningite ocorre quando há alguma inflamação desse revestimento, causado por micro-organismos, alergias a medicamentos, câncer e outros agentes.

Ela é transmitida quando pequenas gotas de saliva da pessoa infectada entram em contato com as mucosas do nariz ou da boca de um indivíduo saudável. Pode ser por meio de tosse, espirro ou pelo contato com barras de apoio dos ônibus, por exemplo.


Os principais sintomas da doença são dor de cabeça, febre e confusão mental. Nem sempre há rigidez na nuca, e o teste não pode ser feito por um leigo apenas ao baixar a cabeça – só um médico pode avaliar o quadro corretamente.


Sem previsão de incorporação
De acordo com o Ministério da Saúde, ainda não foi feito nenhum pedido de incorporação da vacina para prevenir a meningite B.


No entanto, quando isto ocorrer, o medicamento precisará ser analisado pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias (Conitec), onde terão que ser comprovadas evidências clínicas consolidadas, eficácia, eficiência e custo-efetividade como produto de estratégia de saúde pública.


Atualmente fazem parte do calendário nacional de vacinação quatro vacinas que protegem contra a meningite: a BCG, em dose única aplicada ao nascer; a pentavalente, com doses aos dois, quatro e seis meses de vida; a meningocócica C, oferecida à criança aos três e cinco meses de idade; e a pneumocócica, recebida pelo bebê quando ele tem dois, quatro e seis meses de vida.


Segundo a pasta, em 2014 foram notificados 17 mil casos de meningite, de todos os tipos, sendo 146 do sorogrupo tipo B.


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Vacina contra doença que mata uma criança por minuto chega a fase final de testes

Malária mata mais de 500 mil crianças por ano no mundo - o equivalente a uma a cada minuto

Malária mata mais de 500 mil crianças por ano no mundo – o equivalente a uma a cada minuto

Novos testes de uma vacina contra a malária produziu resultados animadores chegando à fase final de testes – a primeira a atingir este estágio – mas também produziu demonstrações de desapontamento com o grau de efetividade aquém do ideal.

Nos experimentos, a droga RTS,S/AS01 ofereceu proteção parcial a um grupo de 16 mil crianças de sete países africanos. Mas não foi efetiva em bebês de até três meses de idade, afirmaram os autores do estudo na revista científica britânica The Lancet.

A malária mata mais de 500 mil crianças no mundo, o equivalente a uma a cada minuto.

No Brasil, segundo a OMS, o número de casos de malária tem diminuído, tendo sido registrados em 2014, 178 mil casos, que levaram a 41 mortes.

Apesar do desempenho limitado, os cientistas salientaram que a droga é a vacina estágio clínico mais avançado disponível.

“O desenvolvimento desta vacina continua sendo importante”, disse o coordenador do grupo de trabalho sobre malária da organização Médicos Sem Fronteiras, Martin de Smet.

“Posso ver o uso dessa vacina especialmente nos países onde a malária é um mal permanente, onde as crianças têm em média cinco, seis, sete episódios de malária por ano.

Assim, mesmo que vacina ofereça, digamos 30% de proteção, se você traduzir isto em número de crianças salvas e em número de episódios de malária evitados, claro que (a vacina) é uma contribuição significativa para o controle da malária”, afirmou o especialista.

Mas ele afirmou que os resultados são “desapontadores”. “Tínhamos muita expectativa em relação a essa vacina e o nível de proteção que ela proveria. Está sem dúvida abaixo do que esperávamos.”

Proteção parcial

Quase 9 mil crianças entre 5 e 17 meses de idade e 6,5 mil bebês entre 6 e 12 semanas receberam a vacina em sete países africanos (Burkina Faso, Gabão, Gana, Quênia, Malauí, Moçambique e Tanzânia) entre março de 2009 e janeiro de 2011. Elas foram acompanhadas até o início de 2014.

Segundo os dados publicados no Lancet, a droga protegeu um terço das crianças vacinadas no experimento.

Após receber três doses da droga, os níveis de efetividade em crianças mais velhas chegaram a 46%. Mas os efeitos em bebês foram menos significativos, afirmaram os cientistas.

Pesquisadores buscam uma vacina contra a malária, transmitida pela picada do mosquito, há 20 anos. Atualmente não existe nenhuma vacina aprovada contra a doença.

O autor do estudo, Brian Greenwood, da Escola de Higiente e Medicina Tropical de Londres, reconheceu que dificilmente os níveis de efetividade da vacina contra a malária se compararão aos da droga para prevenir o sarampo, que chegam a 97%.

O parasita da malária tem um ciclo de vida complexo e ao longo dos séculos aprendeu a resistir ao sistema imunológico humano.

A agência europeia de medicina vai revisar os dados e, se for aprovada, a vacina poderia receber autorização para produção comercial. A Organização Mundial da Saúde pode recomentar seu uso em outubro.

Ceticismo

Alguns cientistas receberam o resultado dos testes com reserva.

Para o professor Adrian Hill, da Universidade de Oxford, a droga é um “marco”, mas deixa muitas questões em aberto.

“Pelo fato de a vacina ter um efeito tão curto, o reforço é importante – mas não tem a mesma efetividade das primeiras doses”, afirmou.

“Mais preocupante é o indício de um repique na propensão a malária: após 20 meses, as crianças vacinadas que não receberam o reforço tiveram um aumento no risco de contrair malária grave nos 27 meses seguintes, comparadas com as crianças não-vacinadas.”

Outros especialistas pediram que o custeio da vacina não implique reduções de investimento em medidas preventivas, como a distribuição de redes anti-mosquito.

SMS destaca a importância da vacinação em adultos

Quando se fala em vacinas todo mundo pensa na vacinação das crianças, por meio da qual se busca obter imunidade contra agentes e doenças que o organismo não estaria preparado para combater. Porém, não é só na infância que as vacinas são necessárias. Jovens, adultos e especialmente idosos precisam estar em dia com sua programação de vacinação.179295_ext_arquivo

Entre os motivos para os adultos serem vacinados está o fato de que algumas vacinas não existiam quando os eles ainda eram crianças. Como alguns não foram imunizados, com a idade avançada, se tornam mais vulneráveis a certas doenças. Atenta a isso, a Secretaria Municipal de Saúde (SMS), por meio do Programa Nacional de Imunização (PNI), disponibiliza em toda a rede pública municipal, vacinas para esse público em seu calendário básico de imunização.

De acordo com Eunice Raquel Amorim, coordenadora do PNI da SMS, os usuários adultos contam com vacinas contra Difteria, Tétano, Hepatite B, Tríplice Viral e Febre Amarela (para viajantes em regiões endêmicas). “Contra o HPV, que também é uma vacina para adultos, a rede pública disponibiliza apenas para meninas de 9 a 11 anos, público alvo da campanha do Ministério da Saúde. Já os adultos que desejam tomar, devem buscar na rede privada”, esclareceu. A coordenadora explica ainda que para mulheres de até 26 anos de idade portadoras do vírus do HIV, a vacina contra HPV é disponibilizada de forma gratuita na rede pública.

Já o tétano, por exemplo, pode acometer indivíduos em qualquer faixa etária e deve ser repetida a cada dez anos, tempo que dura seu efeito protetor. Eunice Raquel Amorim, coordenadora do PNI, afirma, porém, que alguns grupos de risco devem estar atentos à essa imunização. “Trabalhadores da construção civil, motoqueiros, caminhoneiros e industriários estão no grupo de risco do tétano, porém as outras pessoas fora desse grupo não devem se descuidar, pois a bactéria pode estar em qualquer lugar e não mais apenas em objetos enferrujados, como se costumava pensar”, explicou.

Existem também outros trabalhadores incluídos em grupos de risco e que, portanto, devem estar com sua vacinação em dia, como manicures e profissionais de saúde para a Hepatite B e profissionais da rede hoteleira e de saúde para a Tríplice Viral. Para as gestantes, o município disponibiliza a dTpa (tríplice bacteriana acelular), que protege contra difteria, tétano e coqueluche e evita que a mãe possa contaminar a criança. Já a vacina contra a Influenza é indicada para crianças de seis meses a menores de cinco anos e para adultos que tenham doenças crônicas, gestantes, puérperas, idosos e profissionais de saúde.

Os adultos que têm carteira de vacinação da época que eram crianças e agora decidiram se vacinar, não precisa recomeçar todo o esquema vacinal, a orientação é continuá-lo, avaliando as necessidades de reforços. Contudo, se o adulto não tem mais esse cartão, a indicação é que ele tome as vacinas novamente, indicadas para sua faixa etária, já que algumas são apenas para crianças.