Aumento no número de casos de sarampo em PE antecipa as vacinas

Desde março, foram 334 notificações e 112 casos confirmados. Este fator antecipou as vacinas. Em 2012, apenas um caso da doença havia sido registrado no estado.

O aumento no número de casos de sarampo em Pernambuco tem preocupado a Secretaria Estadual de Saúde e fez com que o calendário de vacinação fosse adiantado. Somente de março a novembro deste ano, foram notificados 334 casos suspeitos da doença, sendo 112 confirmados, com a morte de um bebê de sete meses em Moreno, na Região Metropolitana do Recife.
 
A principal forma de prevenção é a vacina. Pelo calendário vacinal, a criança recebe a primeira dose com um ano. Só que, pra conter o surto, essa vacinação foi antecipada: crianças a partir de seis meses já devem tomar a dose. O estado fez uma convocação extra em julho e vacinou 140 mil crianças em 25 cidades. Agora, mais uma chamada para o próximo dia 30 de novembro, com 350 mil doses disponibilizadas para crianças de seis meses a menos de cinco anos.
 
A diretora de Controle de Doenças do estado, Rosilene Hans, explicou que a vacina da campanha será a tríplice viral, ou seja, contra sarampo, rubéola e caxumba. Os municípios prioritários são os que tiveram, nos últimos três meses, casos confirmados ou em investigação, como Recife,Olinda, Jaboatão dos Guararapes, Cabo de Santo Agostinho, Camaragibe, Ipojuca, Moreno,Vitória de Santo Antão, Escada, Serinhaém, Caruaru, São Joaquim do Monte, Garanhuns,Petrolina, Condado e Goiana.
 
O último surto da doença em Pernambuco foi em 1999, sendo que desde 2000 o estado estava livre do sarampo. Em 2012, apenas um caso de sarampo havia sido registrado – de uma pessoa que contraiu o vírus fora do Brasill. O estado está trabalhando junto aos municípios para reforçar a questão da vacinação, tanto casa a casa, quanto dos profissionais de saúde.
 
As pessoas contaminadas no estado apresentaram um vírus de sarampo que está circulando em países da Europa, na China e no Canadá. “A gente teve casos a partir do mês de março. Esses casos entraram em contato com estrangeiros. As pessoas que contraíram é porque ainda não estavam vacinadas“, ressalta Rosilene Hans.

Primeira dose de vacina anti-HIV é aplicada em macacos

Quatro animais adultos e saudáveis iniciaram teste na terça (5) em SP testes com a primeira dose da vacina anti-HIV. Próxima fase incluirá 28 primatas.

O Instituto Butantan e a Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) aplicaram na terça-feira (5) a primeira dose de uma vacina brasileira anti-HIV em quatro macacos rhesus adultos (entre 2 e 7 anos) e saudáveis que vivem no macacário do Butantan. O objetivo do estudo é encontrar um método seguro e eficaz de imunização contra a Aids para ser usado em seres humanos.

Vacina HIV - IC de Maringá

Segundo o professor da FMUSP e pesquisador do Instituto do Coração (Incor) Edecio Cunha Neto, um dos coordenadores do trabalho, serão aplicadas quatro doses nessa primeira fase de testes. Três delas, que serão injetadas a cada 15 dias, contêm a mesma substância (fragmentos de HIV), e a quarta tem como vetor (hospedeiro intermediário) um vírus que causa resfriado, chamado adenovírus 5. Essa última dose será aplicada dois meses após a terceira, o que deve ocorrer em fevereiro. Ao todo, os quatro macacos serão acompanhados por seis meses.

“A combinação do HIV com o vírus do resfriado causa uma resposta imune mais poderosa. Devemos ter os primeiros resultados já em abril. Se essa etapa der certo, a vacina será aplicada em outros 28 macacos do Butantan”, diz Cunha Neto.

O imunizante contido na vacina, batizado de HIVBr18, foi desenvolvido e patenteado pela USP.

Segunda fase em 2014

Na segunda fase de experimentos, prevista para o primeiro semestre de 2014, os 28 macacos serão divididos em quatro grupos e receberão duas ou três doses da vacina, com diferentes combinações de três vetores virais (adenovírus 68, que causa resfriados em chimpanzés; vírus da vacina da febre amarela e um derivado da vacina da varíola).

“Os animais não vão se infectar com essas doenças nem com o HIV, pois a vacina inclui apenas pequenos pedaços do vírus e ele não infecta macacos, apenas o SIV (Vírus da Imunodeficiência Símia), ‘primo’ dele”, explica o pesquisador. Segundo Cunha Neto, o SIV passou para os humanos na segunda metade do século 19, não por meio de relações sexuais, como muitos imaginam, mas por caçadores que matavam os macacos e se feriam com ossos deles na hora de cortar pedaços da carne. Cunha Neto diz que isso foi deduzido por meio de um sequenciamento genético dos dois vírus.

A equipe acredita que os fragmentos de HIV contidos na vacina já sejam suficientes para o hospedeiro (macaco) combater uma infecção. Ao todo, os 28 primatas serão acompanhados durante dois anos. Um ano após a aplicação da primeira dose, será possível saber exatamente a resposta imune da vacina, ressalta Cunha Neto. Mas o monitoramento se estenderá por mais 12 meses para verificar por quanto tempo essa imunidade se mantém, se ela é realmente duradoura.

De acordo com o diretor do Butantan, Jorge Kalil, um dos responsáveis pela pesquisa, toda essa fase pré-clínica, de testes em animais, deve se estender até 2016.

“Com a primeira dose que aplicamos ontem, esperamos que os macacos produzam anticorpos chamados linfócitos T auxiliadores (CD4), que serão capazes de se proliferar e favorecer a resposta de defesa”, diz Kalil, que iniciou o projeto em 2001.

As próximas doses, segundo o diretor do Butantan, funcionarão como um reforço para aumentar o nível de resposta imune dos macacos. Paralelamente à aplicação da vacina anti-HIV, os pesquisadores vão estudar, in vitro, o plasma sanguíneo e as células dos animais para avaliar o grau de resposta e se a dose pode ser efetiva. Essas amostras de sangue também serão expostas em laboratório a mais fragmentos de HIV.

Segundo Cunha Neto, a partir do momento em que saírem os primeiros resultados no grupo dos 28 macacos, os cientistas pretendem dar entrada, junto à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e à Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (Conep) – ligada ao Ministério da Saúde –, nos protocolos para início dos ensaios clínicos em humanos.

“Assim, podemos ganhar tempo, pois essa etapa de aprovação costuma demorar um ano. Queremos antecipar esse processo em alguns meses”, diz o pesquisador da USP.

Macacário mais seguro

Para evitar investidas de ativistas contra o uso de animais em pesquisas, o macacário do Instituto Butantan teve a segurança reforçada antes do começo dos testes com a vacina anti-HIV. O local ganhou câmeras de monitoramento 24 horas e vigias em mais turnos.

Segundo Cunha Neto, os animais são bem tratados e, ao contrário do que dizem os ativistas, não é possível substituir os macacos por outra coisa para saber se a vacina funciona de fato.

“Para ver se ela causa algum malefício no indivíduo, precisamos testar a dose em um organismo inteiro. E é muito radical achar que os próprios humanos deveriam ser as cobaias. Se a vida desses ativistas um dia estiver em risco e eles precisarem de remédio para hipertensão ou doença cardíaca, duvido que se lembrem disso”, afirma o pesquisador.