Vacina contra dengue produzida nos EUA será testada no Brasil

Vacina contra dengueA dengue afeta cerca de 100 milhões de pessoas e leva pelo menos 500 mil para o hospital a cada ano, de acordo com a Organização Mundial de Saúde. Para conter a doença, milhões de dólares têm sido investidos na prevenção e na busca de uma vacina contra dengue. “É importante que se invista em pesquisas para encontrar um imunizante que forneça proteção contra os quatro sorotipos do vírus causador da enfermidade”, diz o médico Ciro de Quadros, presidente do Instituto de Vacinas Albert Sabin, em Washington.

Na semana passada, o Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas dos Estados Unidos anunciou ter dado um passo importante nesse sentido. Uma vacina criada para imunizar contra esses quatro tipos do vírus revelou-se bastante promissora: protegeu 90% dos participantes dos testes contra os subtipos 1, 3, e 4 e forneceu bons resultados contra os quatro subtipos em 45% dos voluntários. “Houve indivíduos que ficaram completamente imunizados contra os quatro tipos”, diz o médico Alexander Precioso, diretor da divisão de Ensaios Clínicos do Instituto Butantan, de São Paulo. É a primeira vacina a alcançar esse patamar de eficácia.

O novo imunizante tetravalente foi feito a partir de amostras dos vírus atenuados. Modificados geneticamente, eles são enfraquecidos para não provocar a doença, mas conservam as características que levam o sistema imunológico a criar anticorpos para se proteger contra o agressor. Chamada de TetraVax-DV, a solução injetável foi dada a 112 voluntários com idades entre 18 e 50 anos que nunca tiveram dengue. Os testes foram coordenados pela pesquisadora Anna Durbin, da Universidade Johns Hopkins, em Baltimore.

“O que é promissor nesta vacina é que, com apenas uma dose, ela obteve uma forte resposta imunológica”, disse Stephen Whitehead, pesquisador que liderou o desenvolvimento do produto. “Outras vacinas em desenvolvimento requerem duas a três injeções, e em doses mais elevadas, para atingir resultados semelhantes”, disse o cientista.

A vacina será testada no Brasil assim que obtiver a liberação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária. “Recebemos os vírus atenuados dos Estados Unidos e a fabricamos aqui”, explica Alexander Precioso, do Instituto Butantan. O produto será dado a 300 voluntários, divididos entre os que não tiveram a enfermidade e os que já apresentaram a doença. Além de verificar a segurança e a resposta induzida pelo imunizante contra os quatro sorotipos do vírus, o estudo brasileiro irá acompanhar os pacientes por cinco anos para observar como a proteção evolui e de que modo ela se mantém. Os especialistas também avaliarão a necessidade de mais de uma dose da vacina. A pesquisa será realizada em parceria com a Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo.

Há mais fórmulas candidatas à vacina em vários estágios de desenvolvimento. Todas enfrentam dificuldades, como a falta de conhecimento existente sobre a maneira como o vírus interage com o organismo humano. Uma das substâncias que se encontram em fase mais avançada, segundo especialistas, é a que foi criada pelo laboratório Sanofi Pasteur. Ela é feita com vírus da febre amarela modificado geneticamente para conter partes do vírus da dengue.

“Os resultados de estudos em andamento no Brasil, conjuntamente com os de outros na América e Ásia, deverão estar disponíveis no final de 2014”, diz o infectologista Luiz Jacintho da Silva, de São Paulo, diretor do projeto internacional Dengue Vaccine Initiative. Dados preliminares sugerem que teve bom desempenho contra os tipos 1, 3 e 4, mas não mostrou eficácia para o tipo 2. Há também estudos na Fiocruz. Já as indústrias Merck e a Glaxo¬SmithKline estudam vacinas com o vírus inativado. Outro produto, do laboratório Inviragen, está em teste em Porto Rico, Colômbia e Tailândia.

Fonte: Dourados News/EC

Vacina contra Alzheimer?

Estimular a defesa natural

Cientistas da Universidade de Laval (Canadá) descobriram uma forma de estimular o mecanismo de defesa natural do cérebro em pessoas com Mal de Alzheimer.

A descoberta, publicada na revista científica PNAS, abre o caminho para o desenvolvimento de um tratamento para a doença, hoje incurável.

Mais do que isso, afirmam o Dr. Serge Rivest e sua equipe, os resultados abrem a possibilidade da criação de uma vacina contra Alzheimer.

Placas senis

Uma das principais características do Mal de Alzheimer é a produção de uma molécula conhecida como beta amiloide.

As células microgliais, as defensoras do sistema nervoso, são incapazes de eliminar essa substância, que se acumula e forma placas conhecidas como placas senis.

Os pesquisadores agora identificaram uma molécula que incrementa a atividade das células imunológicas do cérebro – a molécula é chamada MPL (lipídio monofosforil A).

Em um estudo em camundongos, injeções de MPL por um período de 20 semanas eliminaram até 80% das placas senis.

Além disso, testes que avaliam a capacidade dos camundongos para aprender novas tarefas mostraram melhorias significativas de desempenho no mesmo período.

Vacina contra Alzheimer?

Segundo os pesquisadores, há duas possibilidades de uso para a MPL.

Na primeira, a droga poderia ser injetada por via intramuscular para retardar o desenvolvimento da doença.

Na segunda, ela poderia ser incorporada em uma vacina para estimular a produção de anticorpos contra as amiloides beta.

“A vacina poderia ser dada a pessoas que já têm a doença para estimular sua imunidade natural,” disse o Dr. Rivest. “Ela também poderia ser administrada como medida preventiva em pessoas com fatores de risco para a doença de Alzheimer”.

Antes disso, porém, será necessário efetuar os testes clínicos em humanos.