Vacina contra HPV também é indicada para prevenção de câncer anal

Apesar de ser considero raro, a incidência desse tipo de câncer tem aumentado

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou uma nova indicação para a vacina contra o HPV (papilomavírus humano). A vacina, que já era utilizada para a proteção contra cânceres da vagina, vulva e colo do útero em mulheres e para verrugas genitais em homens e mulheres, passa a ser indicada para a prevenção do câncer anal, também em ambos os sexos.

De acordo com estimativas no Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia das Doenças do Papilomavírus Humano (Instituto do HPV), a incidência do câncer de ânus no Brasil é de 3 a 5 casos por 100.000 pessoas, entre homens e mulheres, anualmente.

Aumento – Apesar de ser considerado um câncer raro, um estudo publicado na revista Femina da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo) em 2011 afirma que, nos últimos anos, a incidência do câncer anal aumentou 1,5 vez entre os homens e triplicou nas mulheres.

De acordo com Luisa Villa, coordenadora do Instituto do HPV da Santa Casa de São Paulo, o aumento da incidência de câncer anal tem sido observado em diversos países. Acredita-se que a causa desse aumento seja decorrente de uma maior liberação da atividade sexual que tem ocorrido desde os anos 60, uma vez que o vírus HPV é sexualmente transmissível.

Indicação – A nova indicação para a vacina entrou em vigor no dia 17 de dezembro de 2012. Porém, ela só é válida para uma das vacinas disponíveis atualmente, a vacina quadrivalente, que oferece proteção contra os tipos 6,11, 16 e 18 do vírus HPV. A outra vacina disponível é a bivalente, que protege apenas contra os tipos 16 e 18. A principal diferença entre as duas é que a bivalente protege apenas contra o câncer, não servindo para a prevenção de verrugas genitais.

Antes de chegar ao Brasil, a indicação da vacina de HPV para a prevenção de câncer anal foi aprovada em outros países, como Estados Unidos, Austrália e México, desde 2011.

Mais funções – Para Luisa Villa, é possível que, à medida que novos estudos forem realizados, a vacina para HPV receba novas indicações. “Os tumores da orofaringe (câncer de amígdala e de base de língua) são provocados grande parte das vezes pelo HPV 16, portanto espera-se que no futuro exista o benefício para a redução desses tumores também. Ainda não foi feito um ensaio clinico com esses tipos de câncer, por isso ainda deve demorar um pouco mais para que haja uma indicação formal”, afirma.

 

O que é HPV

 

Cientistas criam vacina que controla HIV temporariamente

Cientistas espanhóis desenvolveram uma vacina que permite controlar temporariamente o vírus da Aids em pacientes infectados.

“O que fizemos foi dar instruções ao sistema imunológico para que aprenda a destruir um vírus que, digamos, na infecção natural, não conseguiu aprender” a destruir, explicou Felipe García, que integra o grupo de pesquisadores do hospital Clinic de Barcelona, a cargo da descoberta.

Em testes realizados com pacientes, a vacina conseguiu controlar temporariamente a replicação viral com uma redução máxima da carga viral superior a 90% com relação à carga inicial. Esta situação é similar à resposta obtida com uma monoterapia com medicamentos antirretrovirais”, segundo um comunicado do hospital Clinic.

No entanto, a vacina só consegue controlar o vírus durante o máximo de um ano, após o que os doentes precisam voltar a tomar remédios antirretrovirais. Por esta razão, a equipe vai trabalhar para combiná-la com outras medidas.

Apesar disso, a vacina representa um avanço no controle da doença sem os antirretrovirais usados agora e que precisam ser tomados por toda a vida.

“Não chegamos lá, mas estamos perto”, disse esta quarta-feira o chefe do departamento de Doenças Infecciosas do Clinic, Josep Maria Gatell, que chefiou a equipe que fez a descoberta.

“Na Aids falamos de preto ou branco, temos que conseguir a cura funcional – controlar o vírus sem antirretrovirais por toda a vida – como passo para a erradicação”, acrescentou Gatell, durante entrevista coletiva.

“No futuro haverá que melhorá-la e possivelmente combiná-la com outra vacina terapêutica. Chegar até aqui nos custou sete anos e nos próximos três ou quatro anos trabalharemos nesta direção”, insistiu Gatell.